02/02/2010

o haiti é aqui

eueueueu eu eu
eu eu eu capitalismo
eu eu eu eu dinheiro
eu eu eu eu racismo
eu macho
eu fêmea
eu eu eu eu o bom mooooçoooo
eu eu eu eu o porra louco conservadorrrrrr
eu homossexualllll
eu brancoooo
eu negrooooo
eu mestiçooooo
eu amareloooooo
eu qualquer coisaaaaaaaaaaaaaaa
eu coloco na porta de minha casa –
aqui não funcionaaaaaa!
Euuuuuuuuuuuuu
Coloco na porta da escola privada ou pública:]
aqui não funonaaaaaaaaaa!]
Euuuuuuuuuuu
Coloco na porta anal da universidade de harvad:
Não funcionaaaaaaa
Euuuuuu também coloco na porta vaginal da universidade Oxford:
Não funcionaaaaaaaaaaaaaaaaa
Eu ponho e suponho é só ponho no cofre gozal do meridional carnaval tropical
Que o tópico óptico ótimo do supra-sumo civilizacional:
Não funcionaaaaaaaaaaa!
Eu coloco na puta porta plebe não proletarizada, q Marx chama de lúmpen,
A puta pooooorta porca da burguesa respeitada família:]
Nãooooo funciona
Não funcionaaaaaaaaaa o exército
Seja lá de quem fooooor
Não funcionaaaaa a moraaaaal
Seja lá de quem foooor....
Não funcionaaaaa a puta que pariu
Seja lá de quem forrrrr
Nada funcionaaaaaaaa
Enquanto a tartaruga come o plástico que eu jogo no lixo aberto da praia pública
E esse euuuuu uuu sou nós
Come e morre com o colorido plástico industrial
Que o lindo alegre espontâneo inteligente filho
- que estuda naquela excelente escola particular –
Deixou lá, após chupar o seu picolé da Kibon
Não funcionaaaaaaaa
A nossa educação
Não funcionaaaaa
O nosso trabalho
Não funcionaaaaammmmm
Os nossos bons costumes
Não funciona
A nossa casa limpa
Não funcionaaaa
A nossa diferença
Não funcionaaaaa
A nossa mesmidade mass-mediática:
Não funcionaaaaaaeaaaaa
porra alguma nesta casa grande patriarcal
a que chamamos de globalllll
funciona nãooooo

maaaaaaaaasssssss que aaaaa françaaaa e os Estados Unidos são oooos principaaaais responsáveis pela miséria no Haiti
Isto sim, funcionaaaaa, é a verdade nua e cruaaaaaa, e também cozidaaaaaa
E que o Haiti não funcionaaaa porque tentou funcionar
Isto também é verdade....
É proibido funcionarrrrr
nada e ninguém funcionam
numa ordem desordem ordenada desordenadamente como aaaaa nossaaaaa
não funcionaaaaaa
nem o falante da mater língua íngua dolorosa da angústia dos bêbados
nem o homem que falava javanêssssssssss
nãoooooooooooofuncionaaaaaaammmmm

Sejamos revolucionários
vários ovários libertários
Esqueçamos os otários
não funcionaremos presamente livres
em incendiários amados próprios armários
de nós mesmos
armados
presidiários

e posto que somos apenasmente hilários
não funcionam nossos muros sérios diários
só dançando na corda bamba do relicário
encontro de beijos de precários
somos não funções de mortuários
sem sermos patrões ou operários

porque é assim
que eu mesmo,
não milharal
sendo eu de mim,
sem sideral cereal
realmente irreal
Funciono maaaalllllllll

22/01/2010

modelo de sucesso

devolvamos
o pior que as instituições
estimulam e
fabricam e
cultivam e
produzem e
reproduzem e
de graça:
patrões, chefes, militares, padres, aristocracias ,
quadros intelectuais,
mulheres anoréxicas
devolvamos pro lixo da história
o lixo da pré-história
que persiste
subjugando
com mortal vitória
são, devolvamos,
antes que a vida se extinga
e, na catinga da vã glória,
se finda
devolvamos
pro limbo das olimpíadas do Olímpio
os bisnetos, netos, filhos, pais, avós e bisavós
do estado de trégua:
a viver em redoma
com tubos de oxigênios
pro amor
e mais tubos de oxigênios
pra amizade
e mais tubos de oxigênio
pra realidade
pra tudo afinal
tubos de oxigênio
pra eternidade transcendental
devolvamos ao céu profundo
e porque não suportam os ares do mundo
freqüentam sempre o continente ilhal
igual à passarela de desfile de ponte aérea internacional
com seus ambientes sofisticados
assépticos, dizem
é lindo
é normal
eis aí a encarnação parasitária da mais-valia geral
devolvamo-las
ao mundo das idéias
celestial

eis aí os agenciadores
da guerra contra os mundos
os angélicos marcianos dos séculos
dos séculos
séquitos do fascismo bestial
encarnados em todos nós?
os invasores implacáveis
do presente
as autoconfiantes
oligarquias desafiantes
das americanas presenças constantes
com seus tubos de oxigênio eletrônicos
são os recrutas auto-publicitários de almas inconstantes
a lançarem bombas de auto-propaganda e de auto-engano
através dessa bomba de nêutrons: a televisão
pois sabem que a verdade é uma mentira
vinda do tubo de ressonância da caixa de oxigênio da casa branca
pois sabem que a beleza é um perfume de merda
espalhado no corpo anoréxico das modelos multinacionais
pois sabem que a moralidade é uma praga
porque é a moral da maioria que compra a mentira da casa branca
e o perfume de merda da beleza anoréxica dos bombados perfumes
de efeitos monolaterais
das modelos nas bombas de oxigênio
artificiais
{duvido que algum homem do mundo
que não viva em ilhas de fantasia
de verdadeiras belas mentiras
bestiais
duvido que algum homem do mundo
tenha, algum dia,
batido punheta
pra anoréxicas modelos globais}
são bombas de oxigênio femininos
de ódio às verdadeiras mulheres do mundo
são cafés sem cafeínas
degustadas por terroristas de congelados sorrisos
faciais
bombas de inexistentes mulheres
de lábaros labiais lábias monumentais
são bombadas bombas mentirosamente fundamentais
são caixas de propaganda de fundamentalismos de infantilismos
de gerânios plutônios de brancos fósforos de cânceres geracionais
{recentemente uma pesada anoréxica modelo de caixa de propaganda dos americanos, de seu exército, de sua humanitária força, lançada de um avião britânico, caiu sobre a cabeça de uma criança afegana, e a matou. Do lado da criança morta pelo peso espiritual de desprezo ao vivo mundo, tinha uma foto de uma modelo, bomba sensacional}
viva a anoréxica publicidade do American way of life
viva o racismo ao mundo
o racismo a tudo que é deste mundo
sem platônicas idéias cruciais
viva o prêmio Nobel ao bombardeio humanitário
viva o golpe democrático
viva o imperialismo genocida
viva o ódio ao mundo
à singela vida

26/12/2009

O nascimento de menino Jesus

José Cemí nasceu em condições absolutamente adversas. Joana estava sem o narrador, que tinha saído pra contar algumas estórias verossímeis, a fim de garantir a sua sobrevivência, ou, pelo menos, tentar.
Com o narrador longe, tudo podia acontecer, o pior. Mas também o melhor. Ela já não pagava o aluguel do barraco há meses: foi despejada. Grávida, sem ninguém pra ajudá-la, resolveu procurar José, o pai, agora traficante. Mas nada de encontrá-lo, em parte alguma.
De repente, as contrações do parto começaram a se manifestar. Ela estava no centro de Belo Horizonte. Tentou encontrar alguns hotéis baratos, na altura da Avenida Paraná, mas todos exigiam que ela efetuasse o pagamento com antecedência, o que ela não podia fazer, sem um tostão no bolso, e então alegava que era amante do narrador, que voltaria de viagem, e resolveria tudo. Vá embora sua vadia! A mesma frase ecoava aonde ela fosse, pois o narrador era desconhecido de todos, de modo que quanto mais ela o mencionava, como uma espécie de cheque caução simbólico, mais Joana era desprezada, e enxotada pra fora de todos os dentros.
Então ela apareceu no hospital Odilon Beres, da prefeitura de Belo Horizonte, mas os médicos estavam em greve. E saiu, sem destino, pelas baixadas do bairro Lagoinha, até que, debaixo de um daqueles viadutos ali, daquela região, ela foi finalmente acolhida por alguns mendigos:
- Alegra-te, cheia de graça, o senhor é contigo, bendita tu entre as mulheres!, disse
uma das mendigas.
- Pode entrar, disse outra, é simples nosso viaduto, mas é digno. Não temas, Joana, porque encontraste graça diante do Dono de todas as coisas, e conceberás por sua palavra.
- Deverei conceber por obra do senhor Deus vivo e parir depois como toda mulher pare? –perguntou Joana.
- Não assim, Joana, através de seu corpo te cobriu Deus, o satanás voraz de corpos juvenis, por meio da presença fálica do Espírito Santo, o antes ingênuo José, o carpinteiro; agora com sua sombra te cobrirá o poder do senhor. Por isso o ser santo que nascerá de ti deve ser chamado Filho do Baixíssimo. Dar-lhe-ás o nome de José Cemí, pois salvará seu povo da perdição e da ignorância geral, de ricos e de pobres, guiando-os pra que se tornem guias de si mesmos, através da glória de uma nova época, a que nos tornará aptos pra viver em abundância de afetos, e nós todos seremos os filhos bastardos da mesma terra órfã, e ninguém será dono de nada, aleluia! Seja você, Joana, a manifestação desse novo começo, um mínimo pedaço da terra órfã, ela toda.
Cada louco saía delirando uns fragmentos bíblicos, a dizer todos os nomes de Deus, que ali estava pra nascer Cemí, o salvador, que é o Cristo, o Senhor Barroco, o Conselheiro Magnífico, o Todo Poderoso em sua fragilidade absoluta, no nascimento; o Príncipe da Paz, o Deus dos Pobres, Deus Misericordioso, Aquele que é Aquele que é, o dia e a noite, o inverno e o verão, a morte e a vida, a fome e a saciedade, O que muda como o fogo e quando é misturado com fragrância de flores é nomeado segundo o tipo de perfume, O inominável, singular e plural, YHWH, o tetragrama, as quatro letras, os quatros primeiros números, 1,2, 3, 4, o artilheiro, o camisa 10, 1 + 2 + 3 + 4; Yahvé Alá Buda Jesus, os pontos cardinais e, principalmente, a multiplicidade infinita de pontos entre o sul e o leste, entre o norte e o oeste, e entre todos entre si; o Deus incompreensível aos olhos do legitimado, o Ilegítimo, o Inverossímil, o Desacreditado, o Intercessor, aqui e lá, flor desabrochando, acendendo o brilho das estrelas .
A prova incontestável de que naquele ventre sagrado habitava o Criador, dizia um mendigo de olhos arregalados, estava no fato de que todos os mendigos viram cair, naquele exato momento, uma estrela cadente, e todos ao mesmo tempo fizeram o pedido de, do rabo luminoso daquela estrela, fosse projetado pro mundo o salvador dos pobres, Cristo, o espírito a um tempo mais pesado e mais leve que esta terra já viu, portador da dignidade da era da pobreza, olhar lançado e laçando o horizonte do banquete pra todos.
Rápido, rápido, um mendigo carpinteiro improvisou uma cama feita de caixotes pra Joana. Sobre as tábuas jogou bastantes jornais velhos, um dos quais trazia a manchete de que Lula teria dito que iria realizar uma ampla reforma agrária, mas que era preciso esperar, porque faltava dinheiro no caixa do Tesouro Nacional. Foi exatamente o jornal que ficava entre as pernas arreganhadas de Joana, por isso era possível não só ler o artigo, mas visualizar, também, uma foto do rosto do presidente Lula, com o boné do MST na cabeça, a assistir, impassível, o nascimento do menino Cemí, de camarote.
Com os mendigos todos em volta, assistida por um doido que acreditava ser médico pediátrico, o menino Cristo foi nascendo, segundo o relato dos mendigos, que o narrador coletou tempos depois, por não ter podido acompanhar a hora do nascimento de José Cemí.
O doido mendigo médico pediátrico, assim que José Cemí nasceu, o colocou no colo, limpou-o com o mesmo jornal que trazia a foto de Lula, maculando-a de sangue, e, em seguida, foi fazendo, lentamente, um giro de 360o, a fim de ir mostrando o menino a todos os mendigos, que estavam entorno.
Em coro, logo após o último mendigo ter visto o recém-nascido, todos gritaram, felizes: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade, o menino Jesus nasceu pra nos salvar, o paraíso, a paz, vem dele, do menino Jesus envolto em jornais velhos. Glória a Deus aos homens de boa vontade! Nasceu o salvador. Aleluia, Aleluia! A era imaginária do estilo da pobreza finalmente desponta da dissonância estridente emanada do choro do Cristo Salvador: uennn, ueennnnn, uennn!”

04/12/2009

O Evangelho Segundo Satanás - primeiro fragmento

amig@s, meu romance " O Evangelho Segundo Satanás" acaba de sair, pela editora El Perro y la Rana, na Venezuela, em espanhol, com o título de "El Evangelio Según Satanás".

Por isso mesmo, publicarei uns três ou quatro tópicos da narrativa, em sequência, a fim de colher a importante leitura crítica de vocês tod@s.

Comecemos:
1
Nestas satânicas letras, de corpos, de seres, de afetos, pomares abertos de frutas maduras, um mistério de signos metamórficos nos perderá de nos achar, num vice-versa de sedução, no redemoinho do qual o nascimento de uma cabeleira de pecados, num mito de ritos, transformará a solitária Medusa, com a sua visão de pedra, numa musa de palavras tagarelas: esta escrita, rabisco de mediações especulares, de olhos, de vozes, de toques, através das quais gélidas estátuas – amedrontadas metáforas fabulares de homens que se perdem, quando seduzidos – vão incorporando a feminina força fatal de infernais céus e de celestiais infernos relacionais, de rebeldes legiões, de profanas religiões e de sagradas ligações, nessa narrativa lúdica de paixões, no decorrer da qual não encontrará nada, curioso leitor, além de errantes contradições, estas das dicções das multidões, longe de imposições, perto dos corações.
Como sempre no nunca e nunca no sempre, verá que ecos de sim se propagarão tanto, assim muito mesmo, que os ilustrados, sensatos e inteligentes argumentos a favor do não - a tudo que parece impossível – simplesmente passarão a soar como, eles sim, como utopias negativas, moralismos realistas, ridículos e risíveis; loucuras do hábito e da normalidade; cansaços institucionais, desistências; simulações de inúteis símbolos.
Nos espaços destes humanos, demasiadamente humanos, formigueiros de sílabas, na abrupta vulnerabilidade dessa milenar ex-tradição humana e não humana de seqüestrados e inviabilizados, há mais tempo passado que pode haver de tempo passado, que de tão passado, já era futuro e já era presente, e já não era tempo algum, esquecido de tempos, posto que cheio de tempos idos, indo, e a ir, em todos os lugares temporais deste planeta conhecidamente desconhecido, lá, aqui e ali, existirá uma menina cujos cabelos crescerão a cada segundo, a cada milésimo de segundo, o tempo todo, de tal maneira que os olhos das pessoas, e dela também, poderão ver, os cabelos de Joana – é este o seu nome – crescerem, crescerem, crescerem, alcançando o impossível de outras dimensões, pois, além de crescerem como é o previsível, os cabelos da menina cresciam também, de algum modo invisível, pra dentro, crescendo, crescendo, crescendo, no mesmo ritmo que cresciam pra fora.
Quando alguém pegasse na ponta de alguns fios de seu cabelo, já no momento mesmo que prendesse entre os dedos a ponta deles, e levantasse os fios horizontalmente, então, entre o milésimo de segundo de pegar os fios e de levantá-los, as pontas deles já não estavam mais entre os dedos da pessoa, pois já tinham crescido, crescido, e continuavam a crescer, sem parar, como um rio que corre, pra dentro e pra fora, de tal modo que cortar a exterioridade dos fios de cabelo, diminuí-los, controlá-los, apenas aparentemente seria possível, porque, sem que possamos ver, conforme está dito, os fios invisivelmente continuam a crescer, pra dentro, diabolicamente, expandindo fronteiras, acumulando-se de dejetos, de lixos, de depósitos, de aluviões de caspas, húmus, umidades, ciscos, poeiras, misturando a tudo, formando outros modos de ser invisíveis fios, insubmissos, inconscientes de suas pulsões púbicas, nas praças públicas de fios entrançados em fios, formando acumulações de gerúndios, a multiplicar lençóis freáticos, irrupções de cachoeiras, no burburinho volumoso de fios internos e externos.
Assim crescendo, os cabelos de Joana se lançarão na borda das irradiações multicoloridas, formando novas cores, matizes de toda sorte, por isso os tempos verbais não sossegarão, aqui, ora sendo presente, ora sendo passado, ora sendo futuro, porque esta estória pretende brincar, satanicamente, com os limites e com as fronteiras, seja se perdendo num mais adiante de toda frente, seja se esquecendo num mais atrás de quaisquer costas, podendo ser um mais na frente e um mais atrás, como um mais pra dentro e um mais pra fora cabeludos, nessas explosões implosivas, repleta de presentes.
Mudando de tempos e de espaços, perceberemos que os cabelos da menina, além de multicoloridos, são milagreiros, e que, para cada fenômeno de ser e de estar, no mundo, sempre existiram, existem e existirão matizes e tons espectrais, em desconcerto, orquestrando novos atos nascentes, de singularidades de batuques presentemente ancestrais.
Seus cabelos, porque milagreiros, agitarão consistências de estar, partindo da dupla condição de serem crespos e de serem lisos, investindo a favor de todas as variações que podem existir entre o liso e o crespo, cabelos muito lisos, o mais que se pode ser, pois de tão lisos quase pareciam água de cabelo, ou mesmo quase pareciam ar, ar de cabelo, ou cabelo em estado gasoso, em cada fio muito liso, como se não fossem fios de cabelos, mas fios de ar ou fios de água, ou infinitesimais fios de fios, ou de uma outra coisa qualquer muito leve, muito lisa, o mais que é possível, ou impossível existir.
E disse impossível, porque também os fios muito lisos de seus cabelos, a cada instante, inventavam novos fios mais finos, de tal maneira que, pra vê-los, era preciso enxergá-los com lente de aumento, num momento, e, depois, com microscópio. E quanto mais potente fosse o microscópio, mais se descobriam novos fios de cabelo em Joana, como descobrimos mais novos planetas e estrelas no céu, ou menores, invisíveis criaturas, ou partículas de matéria, na terra.
Por outro mesmo lado, determinados fios de cabelo de Joana podiam ser tão crespos, tão crespos, que se enrolavam entre si tanto, que mais pareciam raízes dentro de raízes, com as linhas rizomáticas intrincavelmente misturadas entre si, ou quase uma cebola de fios de cabelos, com suas partes dentro de suas partes, ou ainda como enroladíssimas nuvens dentro de nuvens, que a cada momento, como as nuvens, adquiriam novas formas, novos modos de ser crespo, como nenhum outro cabelo crespo do mundo, ou como quase todos, ou como todos, simplesmente: tempestades e trovões de cabelos insurgentes, em suas igualdades e disponibilidades de presenças, cabeludamente varrendo o rés-do-chão dos poros das respirações.
Por serem muito, muito crespos, alguns fios de seus cabelos eram muito pesados, e cada vez mais ficavam mais pesados, em velocidade inacreditável, chegando ao ponto de versões cada vez mais inverossímeis serem criadas por aplicados estudiosos, como as que produzem big-banguescas teorias de radiação de fundos, alegando o que chamam de locusdiversidade fiante a remontar ao começo do universo, em que uma matéria muito pequena tinha, em si, todo o peso dos mundos, porque continha tudo que é possível ser matéria, em qualquer lugar do cosmo, pluriconcentrada.
Mas, então, como Joana faz pra ficar de pé, com tanto peso na cabeça?
Simples: da mesma forma que Joana tinha fios de cabelo muito pesados, porque muito densos, que cada vez mais ficavam mais pesados e mais densos, ela também tinha fios muito leves, que cada vez mais ficavam mais leves, e mais leves que se possa imaginar, de tal maneira que os fios muito leves, como uma balança, criavam uma relação de equilíbrio com os fios muito pesados, e o muito leve compensava o muito pesado, ficando, na sua cabeça, cabelos que não eram nem leves e nem pesados, embora seja dito, incrédulo leitor machadiano, que a balança da justiça, entre o pesado e o leve, bem mais que equilibrar forças, neutralizá-las, exala o pesado do leve e o leve do pesado, assim como o dentro do fora e o fora do dentro; o visível do invisível e este daquele.
É dessa forma então que Joana podia ficar de pé, sem problemas, e andar, e correr, pra todo lado, sem medo de cair, de ser amassada, como se um elefante tivesse pisado sobre ela, de repente; ou mesmo sem medo de voar, em função da leveza etérea e aérea de alguns outros fios de cabelo, contrariando as gravidades, engravidando absurdos de nascimentos primeiros, segundos, terceiros, sem rumo, por aí, mas essenciais em suas fragilidades, volubilidades, instabilidades, plasticidades, mutabilidades de fios pesadamente leves, pois suas levezas os tornarão viscerais e suas concentrações pesadas os tornarão etéreos, sem pátria, soltos pelo mundo, como um corpo sendo alma e como uma alma sendo corpo, singulares e comuns, um texto dentro de outro texto, um hipertexto, cheio de pretextos e de contextos.
Algures de aqui: lá e ali e acolá.

17/10/2009

floral

à guerra ao terrorismo global
a floração da viração da rebelião
fora do arsenal humanitário da guerra total
fora ao USA e abUSA, o terrorismo fatal
do americano sistema social, inquisitorial

à campanha mundial contra a heresia
com sua visão da ordem estabelecida, farsal
a biodiversidade de sementes de mentes,
civil desobediência abelhal
enxames de galáxias de asas, insistentes,
fenomenal,
invencível,
abraçal
lunática contra-ofensiva de faces,
pluvial

aos crimes de gerra de bush e obama
e de todo império, que tal,
chamemos pelo nome: o mal, em maniqueísmos,
a artilharia de socialismos de ismos istmos sismos
de loucas alegrias de vivacidades,
que tal: sem sofreguidão
que tal: sem servidão
nas veludosas vozes soltas de revoltas de não,
ventos de eventos de livre ação
ventos de vendaval, vibração
facetoface, na horizontal, respiração
a negar o sim a qualquer alçapão, prisão
aluvião de terráqueas luas de não
ao absurdo mundo surdo,
infernal
vertical,
serviçal,
não à cervical coluna noticial:
... quando a guerra metamorfoseou-se,
e, sob bush, justiça infinita, tornou-se.
... quando o meritório empreendimento humanitário
fez a discordância pacífica, a luta do libertário,
tornar-se heresia, planetária vitória da hipocrisia.
... quando o conselho de guerra dos Estados Unidos
é o mesmo que o Conselho de Segurança contra os banidos
...quando o Nobel é novel sinal verde a obama
pra invadir o vermelho sangue existencial,
... quando a matança infantil é anunciada como dano colateral,
... quando aquele que resiste à invasão é o terrorista, o demencial,
... quando técnicas avançadas de tortura e interrogatório
são utilizadas pra proteger operações de fuzilamento, com supositório,
...quando a guerra nuclear antecipada é anunciada como autodefesa,
...quando armas nucleares táticas são consideradas inofensivas
pra população civil, indefesa,
... quando três quartos dos rendimentos dos EUA
sequestro da produção da riqueza almal e corpal
global
são atribuídos às armadas forças, um golpismo nacional,
...quando o comandante em chefe da maior força terrorista do planeta,
os estados unidos da América,
é apresentado como pacificador, assim, de veneta
... quando um avião sem piloto, com um sugestivo nome de predator,
teleguiado, por videogames instâncias,
mata, voluntariamente, sem ânsias,
tudo que respira, à distância,
é porque estamos na encruzilhada da mais série crise da história
...quando EUA, OTAN e Israel lançaram uma ofensiva militar global
que ameaça o presente e o futuro da humanidade
...quando o prêmio Nobel é propaganda e distorção
a favor da longa guerra do pentágono, extorsão,
.... quando o pentágono é o abstrato bélico nome
dos 5 parasitas do apocalipse:
1. as multinacionais do dinheiro: banqueiros
2. as multinacionais do petróleo: petroleiros
3. as multinacionais da indústria cultural: fofoqueiros
4. as multinacionais dos narcóticos: trafiqueiros
5. as multinacionais das armas: fuzileiros

... quando a expansão da indústria da guerra global,
é medieval irmandade comercial,
... quando os cinco tentáculos da cleptocracia imperial,
é o mercado de consumo geral
compra e venda,
impessoal
pessoal direito de escolha,
venal
é porque todos financiamos
a III guerra mundial


a saída é vital,
flores, e não dinheiro,
pras 5 raposas do viveiro

12/10/2009

o amor é

o amor é
cinismo
hipocrisia
indiferença
preconceito
ódio
extorsão
esperteza
mentira
fingimento
dissimulação
fúria
traição
covardia
egoísmo
inveja
cafajestice
desprezo
violência

ao cinismo
à hipocrisia
à indiferença
ao preconceito
ao ódio
à extorsão
à esperteza
à mentira
ao fingimento
à dissimulação
à fúria
à traição
à covardia
ao egoísmo
à inveja
à cafajestice
ao desprezo
à violência

em si
em ti
alhures
aqui
ali
em nós mesmos

22/09/2009

Matrix

tudo é uma putaria só
sob a rédea de o tem que ser assim
temos que sobreviver!
desde a puta da playboy,
a puta com seus putos dólares
a famosa gostosa do canal tal
dominical
ou a puta da camponesa zona rural
ou urbana, pobre, orfal
ou o informal operário semanal
ou mesmo o fixado salário mínimo madrugal
ou o milionário sem igual
de wall street , filhadaputal
tudo é uma putaria só
o sistema
em que tudo é venda
mais-valia roubal
é também
menos-valia da falência
geral