11 de jun de 2018

revolução

revolução

sim
à vida
sem cordeiro de deus
que tirais o pecado do mundo
sim
à vida
pecaminosa
vertiginosa
que semeia pecados imundos
sim,
à vida nua,
despossuída,
de qualquer r´um
ou uma
puma
nunca retida
ou vendida
ou convencida
ou convertida
pluma
sim
à vida
vestida de travestida
em vias de algaravias
fora das babélicas sesmarias
das poses das posses
divididas romarias
sim
ao amor
vil
inverossímil
não servil
sem objeto
sem sujeito
sem peido mercantil
sim
ao destino solto
revolto
sutil
fora do
covil
seja
peitoril
fértil
débil
febril
nem juvenil e nem senil
fora do que se vê ou se viu
sim
à vida
estéril
abril
o mais azul dos meses
ardil
fora
do pentágono
do catálogo
do monólogo
hamletiano
de ser ou não ser
prussiano ou americano
sim
à vida
fora dos monopólios
interpretativos
especulativos
econômicos
monogâmicos
simbólicos
educativos
sim
aos vendavais
fluviais
plurais
sem rosto
sem posto
sem custo
ou encosto
sim
ao fora
da austeridade
de ser o que temos sido
sim
ao o que não temos sido
nem sentido
nem tido
nem vivido
nem crido
nem contido
sim
à coragem que nos
cantaremos
louvaremos
faremos
pensaremos
alegraremos
bendiremos
cuidaremos
cobrando impostos
sim e daí?
aos capitalistas
aos realistas
aos sensatos
aos legalistas
aos rigorosos
aos sérios
aos hipócritas
aos presunçosos
aos burocratas
aos moralistas
a todos enfim
que dizem
muito embora
não é hora
agora
agoura
porque não é possível
não vai dar certo
não é factível o matriarcado de pindorama
onde,
sem cadeia
imperialismo
colonialismo
prostituição
exploração
psicologização
subjetivação
malogro
os
saberes
viveres
teres
quereres
seres
universais
fora dos sais
salivais
dos mais gozais
dos
rituais
mananciais
cerimoniais
batismais
dos que dizem
sim
à experimentação
à imaginação
à fornicação
à ação
à revolução
fora das metafísicas
dos sistemas de revés
que convém
ao vicioso convés
do círculo do avesso
do índice do invés
entre
o negro e o branco
o pobre e o rico
o oprimido e o opressor
o aqui e o lá
sim
à vida
livre
no tempo
fora dos veredictos das verdades
livre
no espaço
fora dos muros das propriedades
livre
no acontecimento
fora das notórias previsibilidades
livre
do trampolim do outro
como
limite
idealidade
negação
confirmação,
desejo
tentação

sim
à vida
nas asas incríveis
do
emporcalhado
inclassificável
ingovernável
avacalhado
sem
Zeus ou Deus
povo

7 de jan de 2018

estados unidos

46 milhões de pobres
sem perspectiva alguma de sair da situação de
pobreza no país do dinheiro-deus
com mais pobres empurrados dólares abaixo
pros abismos da humilhação, fome, desespero,
1 de cada cinco crianças passa fome
26 milhões de pessoas necessitam do programa federal de alimentação pra se alimentarem
1 milhão de pessoas sem lugar pra morar
Dos quais mais de 100 mil são veteranos de guerra
9 milhões de emprego se esfumaram com a crise econômica provocada pelos banqueiros
O nível de violência doméstica foi às alturas infernais
A violência urbana cresce incontrolavelmente dia a dia
O país com o maior contingente de presos do mundo
O país com a mais próspera indústria carcerária do mundo
Dos miseráveis
Dos famintos
Dos empobrecidos
Dos violentados
Dos assassinados
Dos sem casa
Dos
Dos
2/3 são negros, mulheres, crianças, idosos, gays, latinos, mulçumanos
Enquanto isso,
O 1% mais rico jamais foi tão rico
com incremento de mais de 80 por cento de suas
fortunas nos últimos 6 anos
enquanto isso
a guerra americana contra o mundo
agora também é
ao mesmo tempo
contra os americanos
negros, mulheres, crianças, idosos, gays
enquanto isso
o consumo de luxo
iates
aviões particulares
helicópteros
manjares
marcas
marcas
marcas
de
exibicionismos
de
esnobismos
de
filisteísmos
de
racismos
de
elitismos
de
arrogância
de
estupidez
de
egoísmos
( depois dizem que os ismos não existem)
Não param
De
Crescer
De
Matar
De
Excluir
De
Humilhar
De
Querer
Mais
Guerra
Contra
O
Mundo
Mais
Guerra
Contra
Os americanos
Pobres
Negros
Mulheres
Gays
Latinos
Enquanto isso
Ou
Pra manter isso
Pra piorar isso
Querem
O nosso petróleo
Invadem
As
Ruas
Brasileiras
Invadem
Nossos computadores
Invadem
Nossas
Histórias
Invadem
Nossos
Amores
Invadem
Nossos
Lutas
Invadem
Nossos
Sonhos
Invadem
Nossos desejos
Enquanto isso
Usam
Nossos
Juízes
Nossas
Globos
Nossas
Classes médias
Nossas
Prosódias
Nossas
Vaidades
Nossas
Subserviências
Nossas
Ignorâncias
Pra
Prender
O
PT
Cujo
erro
cuja
corrupção
cuja
traição
tem
a ver
com
não
denunciar
tudo
isso
de
não
acabar
logo
com
a
festa
do
1%
Por cento
Que
Também
Se enriquece
Como
Nunca
No
Brasil
Enquanto isso
Preparam
O
Ovo
Da serpente
Mais
Falsa revolução
De
Banqueiros
De
Juízes
Embusteiros
De
Jornalistas
Navais
Fuzileiros
Contra
Tudo
Que
seja
- Sendo
Cosmopolita-
brasileiro


31 de dez de 2017


AMOR
um amor me pegou, tão estranho amor , tão-desalmado, tão-outra-coisa, que me levou sem mim, pra um lugar distante-aqui, que explodi-implodindo, e estava tão disperso em minha concentração distraída de mim, que me arremessava a favor do abismo raso de cair, sempre, sempre, dentro de um outro fora, voando ao caos, ao leu, desencontrado, por aí, o amor não é dor, dor é amar a gente mesmo, o amor é o desespero dos genocidas, das formicidas, o amor, engana-se quem pensa que morria, engana-se quem pensa que enlouquecia, engana-se quem pensa que sumia, engana-se quem pensa qualquer pensamento. o amor é impensável, e me achou naquilo que não existo, e nem posso, existir. o amor é resistir ao ser, é uma impropriedade, um desvio, um erro, um apesar da gente. o amor é o deserto do ego, é habitado por seres mutantes, um amor-fêmea, um amor-árvore, um amor-barata, um amor-verme, um amor-flor, manhã de noites, um amor-vento, um amor-sol, um amor-pedra, um amor-sem-nome, sem sobrenome, comum em sua singularidade. o amor me não amou, me odiou, me matou. o amor me isolou de tão próximo, me levou pra longe, pros olhos da cabeça do coração da mão da alma dos corpos de um qualquer, o amor é qualquer. o amor faz esquecer que esqueci, faz lembrar o que me lembrava, faz recordar esquecimentos: a lua, o sereno, o escravo egípcio, a mulher feiticeira, a palavra que ninguém ouviu, nem quem a produziu; a audição recusada, a da índia aqui alhures no tempo, ouvindo o último lamento de nascimento de seu bebê queimando o vestígio de amor no coração do rei de Portugal, de Espanha, de um rei qualquer, de um rico qualquer, o coração de amor queimando ao queimar do bebê da índia, num dia indeterminado, o amor em cinza dos saqueadores de olhar, de ouvir, de falar, de brincar, de abraçar, de pensar, de amar, de inventar. o amor me engravidou de mundos, me outrou, me levou e me chamou de um nome que não me encontrou: não está, o luís, não esteve, não estará, pois o amor me reencarnou de marias, de pedros, de sebastianas, de floras e de faunas, quando amou a alma do verde do vermelho do negro do branco, nesses azuis, por aí.

10 de dez de 2017

venezuelar

não existem alternativas
o inevitável
– parada cardíaca
no miocárdio
do cardápio
ocidental–
circunda
o dentro
e o fora
do dentro
cobrindo
a carapuça do capacete
envenenado
na ponta da flecha
do míssil
da plutônica
ogiva de veneno
na peçonha ditirâmbica
dos rostos
civilizados
o disfarce
de primaveras
da história
de outonos
nas
folhas caídas
da noite
solar
dos tempos
roubados
dos
outros
chamados
de bárbaros
onde nascer
uma aventura prodigiosa
tornou-se
por um desvio do desvio
das vias desviadas
de
amar
cantar
pensar
o horizonte
dos começos
do matadouro
no chifre do touro
o estouro
da bomba
do
acatemos
aceitemos
rebaixemos
humilhemos
amedrontemos
aos fluxos
furtos
nus
do dinheiro
na veia
o pus
do
convertido
trabalho
vertido
à
nudez
vestida
da ordem
da igreja
monumental
onde
mesmo a desordem
ainda
que
horizontal
do
capital
na dança
das pernas
o bigode
do
bode
passeia
nos bondes
dos
condes
na fruta
da
ponte
onde
na passagem
das horas
das floras
esconde
o bote
da cascavel
no véu
da noiva
afoita
pelo
o que
não terá sido
não poderá sido
não quererá sido
não ficará sido
no existido
de
fazer outra coisa
outra forma disforme
estar
e
acontecer
no mundo
sem nada
das roupagens
de perambular
na
fechadura
das
casas
e
das
ruas
e
das
luas
quando,
através delas
somos
espionados
sem cessar
no ciberespaços
das intrigas
de
caçar
esquadrinhar
apequenar
as ciberguerras
de
enfeixar
o que é sim
evitável
o que é sim
possível
o que é sim
incrível
o que é sim
viável
o acúmulo
ao cubo
do quadrado
da potência
infinitésima
das
muitas
vidas
que vivemos
e
ainda que
- caladas
matadas
radiotizadas
roubadas
idiotizadas -
viveram
o que não
estava
dito
escrito
previsto
visto
sido
tido
querido
no gesto mesmo
do arco-íris
das
palavras
na vida
mesma
não
vivida
tida
vista
querida
conseguida

onde
nascer
é uma
aventura
futura
no
presente
que
nasceremos
de
passados
das muitas
mortes
que
achando
nos matar
nos atar
nos acabar
fracassar
inviabilizar
viram-se
surpreendidas
por
lances
de
dados
nunca
de
dardos
de
mortes
que
nunca
são
individuais
e
que
os matando
os
famintos
de
vidas
semeavam
floreavam
mais
nelas
nas
outras
vidas
que
acreditavam
mortas
e
de
repente
com a
morte
do
combatente
do
comandante
o
mandante
com
o
diante
contra
todos
os
inevitáveis
todas
as
fatalidades
todas
as
certezas
todas
as
asperezas
todas
as
avarezas
contra
todos
os
não
ao
sim
do
sim
do

o
constelar
agitar
do
mar
na ribanceira
do
acreditar
ali
no
aqui
do
acolá
fora
das
alternativas
exclusivistas
de
ou
se matar
ou
se acovardar
a alternativa
sim
de
- a única –
venezuelar
e
na
coragem
nossa
viver
sem
nos
engaiolar
soltos
no
estrelar

17 de nov de 2017

fim da metafísica
a civilização não
su
prime
com
prime
re
prime
a velha barba abraánica de terremotos maremotos de nostálgicos álgidas
algemas cálidas dos soberanos
bárbaros deuses de patriarcados de incautos cautos cios de sacrifícios
a barbárie
ela na flanela da janela da panela da cancela dela
a aperfeiçoa
a incrementa
a enfeitiça
a pluraliza
mortadela
a remodela
numa massiva e persistente dormente lavagem
de
consciência de veladas velas
de
sexo na bunda das mexidas das gozadas manivelas
de
peles que são carnes de vitelas
de
rins no coração do estômago nos sangues
das
querelas
no seio do bico da bandeira da
épica confeitada torta de horta morta
na ambição dos efeitos de outorgar aos ceus
a confiança na virtuose da virose
sempre apostando na apostasia
do ocidente destino manifesto
ao alcance universal da conquista de uma feliz empresa
burguesa no hamburguer endocolonial escrotal monumental
demencial paradoxal incremental e tal no surf das ondas das
exigências de sacrifício às dolorosas realidades dos danos colaterais
na lateralidade literal da metáfora sapiencial do espacial programa vomitado dos mísseis aerodinâmicos nas rodas dos êmbolos dos bolos de bits de ciberguerras nas ciberseguranças nas ciberestratégias de prestações de das cibertáticas catárticas no meio das sociais perambulais afetais ciberredes conversacionais no lusco-fusco das filosofais poetais brumas brancas castas de casas sem asas tripuladas por aviões sem tribulação nos remotos tribunais de controles internacionais da eticidade da legalidade dos assassinos seletivos putativos vingativos no míssil no cu da coletividade no coração arcádico do ocidente imperial com seus 70 milhões de assassinatos após a segunda guerra das carnificinas nacionais sem contar os outros centenas de milhões de assassinatos colaterais ao destruir, humilhar desacreditar os grandes e orgulhosos países de varizes de narizes de mares nos ares dos amanhãs que resistem ao fascismo ao racismo ao ismo no sismo do cume do ume das veias artérias do bem que é o mal e do mal que é o bem no bater de asas da borboleta nas embarcações de aberrações de piratarias de ouros pratas minerais especiarias das e atas de paus de pernas que se instalam em aviões no estanho do castanho no forno das alquímicas iguarias de tecnologias sim aí no comércio das mercadorias o verdadeiro enfoque dos bandoleiros goleiros dos saqueios de povos inteiros quando logo após o requinte de matar enxames de sonhos predicam os direitos humanos sem nunca mencionar o robustecimento das forças de operações especiais nas si(ea)lenciosas majestosas maratonas de intentonas na expansões de operações milimétricas satelitais de drones angelicais militares na intensificação de espionagens de garimpagens de vadiagens a favor de sócios civis que favorecem os projetos imperiais no disfarce da civil funil sociedade fuzil, sem precisar mostrar a cara porque outras matam em seu lugar pelas destruições criadoras no canto do cisne do iluminista elogio ao ingresso incremente do inevitável progresso saliente nas bordas da razão do vazio da pax romana da pax americana da pax classe mediana da pax germânica a pax francesa a pax italiana a pax inglesa a pax portuguesa a pax holandesa a pax dos impostos postos repostos nos depósitos monumentos à barbárie de seres devotos aos castos castigos dos vitoriosos sempre a retomar o que foi séquito de tiranos no sorriso das cortes as cantigas de poetas palacianos nas ribaltas altas das sentenças das subjetividades de danças nas canções das perambulações dos agregados satélites dos prestígios das forcas nas cadeiras de reis ao pé do ontológico do teológico do principio do precipício que era o verbo de logos lagos de prantos de quebrantos na solar regimentar lua de viração das ações das retrancas das ancas nas avalanches de lanças em perpétuas vinganças contra aberturas das estelares pujanças de futuros de bonanças lá onde o mais além do aquém é a aposta da onça nas garras das guelras das constelações se assim o decidimos no infinito que nos toma arromba assombra ser o que nunca podemos virar rendidos nas rendas prendas funéreas das faraônicas plutônicas taras de morrer enquanto simplesmente se assim o desejássemos o cortejássemos o buscássemos o não alcançássemos e mais então o transformássemos no rio galáctico do indefinido infinito que na eternidade nos espera e, ainda que só pensamos na foice do ventre pestilento da morte, é na embarcação ondeada de improváveis nortes que encorajássemos a ancorar nossas louváveis sortes

21 de jun de 2015

amor

audácias
mais audácias
sempre audácias
atrevidos
mais atrevidos
sempre atrevidos
insubordinados
mais insubordinados
sempre insubordinados
desafiantes
mais desafiantes
sempre desafiantes
Loucos
mais loucuras
Sempre loucos
confiantes
mais confiantes
sempre confiantes
novo
de novo
sempre
novo
vivo
mais vivo
sempre vivo
impossíveis
mais impossíveis
sempre impossíveis
utópicos,
mais utópicos
sempre utópicos
humildes,
nunca humilhados
sempre humildes
rés-do-chão
mais rés-do-chão
sempre rés-do-chão
solidários,
mais solidários
sempre solidários
safados
mais safados
sempre safados
esboço
mais esboço
sempre esboço
revolucionários
mais revolucionários
sempre revolucionários
comum
mais comum
sempre comum
sul
mais sul
sempre mais sul
alegrias
mais alegrias
sempre mais alegrias
criação
mais criação
sempre mais criação
porque
já basta de centros
aristocráticos
aristográficos
linguísticos
financeiros
comunicacionais
epistemológicos
egóticos
tecnológicos
humanísticos
parentais
grupais
eternos
eventuais
econômicos
religiosos
étnicos
heterossexuais
bélicos
imperiais
regionais
locais
culturais
tretais
amor
mais amor
a quaisquer
sempre
sem favor
mas ainda
sempre
no pecado do pudor
mais amar
o vetor infinito
sem patriarcados
do frescor

1 de jun de 2015


prestar serviço ao tio Sam
em nome
de
Alá
Em
Nome
De
Cristo
Em
Nome
De
Buda
Prestar serviço ao tio Sam
Em nome
Da
Cor da pele
Em
Nome
De seu bioestilo
Sexual
Individual
Tribal
em nome
da
direita
da
esquerda
Prestar serviço pro tio Sam
Em
Nome
Do pobre
De
Sua
Classe social
Prestar serviço pro tio Sam
E,
Em seu nome,
Se matar