10 de dez de 2017

venezuelar

não existem alternativas
o inevitável
– parada cardíaca
no miocárdio
do cardápio
ocidental–
circunda
o dentro
e o fora
do dentro
cobrindo
a carapuça do capacete
envenenado
na ponta da flecha
do míssil
da plutônica
ogiva de veneno
na peçonha ditirâmbica
dos rostos
civilizados
o disfarce
de primaveras
da história
de outonos
nas
folhas caídas
da noite
solar
dos tempos
roubados
dos
outros
chamados
de bárbaros
onde nascer
uma aventura prodigiosa
tornou-se
por um desvio do desvio
das vias desviadas
de
amar
cantar
pensar
o horizonte
dos começos
do matadouro
no chifre do touro
o estouro
da bomba
do
acatemos
aceitemos
rebaixemos
humilhemos
amedrontemos
aos fluxos
furtos
nus
do dinheiro
na veia
o pus
do
convertido
trabalho
vertido
à
nudez
vestida
da ordem
da igreja
monumental
onde
mesmo a desordem
ainda
que
horizontal
do
capital
na dança
das pernas
o bigode
do
bode
passeia
nos bondes
dos
condes
na fruta
da
ponte
onde
na passagem
das horas
das floras
esconde
o bote
da cascavel
no véu
da noiva
afoita
pelo
o que
não terá sido
não poderá sido
não quererá sido
não ficará sido
no existido
de
fazer outra coisa
outra forma disforme
estar
e
acontecer
no mundo
sem nada
das roupagens
de perambular
na
fechadura
das
casas
e
das
ruas
e
das
luas
quando,
através delas
somos
espionados
sem cessar
no ciberespaços
das intrigas
de
caçar
esquadrinhar
apequenar
as ciberguerras
de
enfeixar
o que é sim
evitável
o que é sim
possível
o que é sim
incrível
o que é sim
viável
o acúmulo
ao cubo
do quadrado
da potência
infinitésima
das
muitas
vidas
que vivemos
e
ainda que
- caladas
matadas
radiotizadas
roubadas
idiotizadas -
viveram
o que não
estava
dito
escrito
previsto
visto
sido
tido
querido
no gesto mesmo
do arco-íris
das
palavras
na vida
mesma
não
vivida
tida
vista
querida
conseguida

onde
nascer
é uma
aventura
futura
no
presente
que
nasceremos
de
passados
das muitas
mortes
que
achando
nos matar
nos atar
nos acabar
fracassar
inviabilizar
viram-se
surpreendidas
por
lances
de
dados
nunca
de
dardos
de
mortes
que
nunca
são
individuais
e
que
os matando
os
famintos
de
vidas
semeavam
floreavam
mais
nelas
nas
outras
vidas
que
acreditavam
mortas
e
de
repente
com a
morte
do
combatente
do
comandante
o
mandante
com
o
diante
contra
todos
os
inevitáveis
todas
as
fatalidades
todas
as
certezas
todas
as
asperezas
todas
as
avarezas
contra
todos
os
não
ao
sim
do
sim
do

o
constelar
agitar
do
mar
na ribanceira
do
acreditar
ali
no
aqui
do
acolá
fora
das
alternativas
exclusivistas
de
ou
se matar
ou
se acovardar
a alternativa
sim
de
- a única –
venezuelar
e
na
coragem
nossa
viver
sem
nos
engaiolar
soltos
no
estrelar

17 de nov de 2017

fim da metafísica
a civilização não
su
prime
com
prime
re
prime
a velha barba abraánica de terremotos maremotos de nostálgicos álgidas
algemas cálidas dos soberanos
bárbaros deuses de patriarcados de incautos cautos cios de sacrifícios
a barbárie
ela na flanela da janela da panela da cancela dela
a aperfeiçoa
a incrementa
a enfeitiça
a pluraliza
mortadela
a remodela
numa massiva e persistente dormente lavagem
de
consciência de veladas velas
de
sexo na bunda das mexidas das gozadas manivelas
de
peles que são carnes de vitelas
de
rins no coração do estômago nos sangues
das
querelas
no seio do bico da bandeira da
épica confeitada torta de horta morta
na ambição dos efeitos de outorgar aos ceus
a confiança na virtuose da virose
sempre apostando na apostasia
do ocidente destino manifesto
ao alcance universal da conquista de uma feliz empresa
burguesa no hamburguer endocolonial escrotal monumental
demencial paradoxal incremental e tal no surf das ondas das
exigências de sacrifício às dolorosas realidades dos danos colaterais
na lateralidade literal da metáfora sapiencial do espacial programa vomitado dos mísseis aerodinâmicos nas rodas dos êmbolos dos bolos de bits de ciberguerras nas ciberseguranças nas ciberestratégias de prestações de das cibertáticas catárticas no meio das sociais perambulais afetais ciberredes conversacionais no lusco-fusco das filosofais poetais brumas brancas castas de casas sem asas tripuladas por aviões sem tribulação nos remotos tribunais de controles internacionais da eticidade da legalidade dos assassinos seletivos putativos vingativos no míssil no cu da coletividade no coração arcádico do ocidente imperial com seus 70 milhões de assassinatos após a segunda guerra das carnificinas nacionais sem contar os outros centenas de milhões de assassinatos colaterais ao destruir, humilhar desacreditar os grandes e orgulhosos países de varizes de narizes de mares nos ares dos amanhãs que resistem ao fascismo ao racismo ao ismo no sismo do cume do ume das veias artérias do bem que é o mal e do mal que é o bem no bater de asas da borboleta nas embarcações de aberrações de piratarias de ouros pratas minerais especiarias das e atas de paus de pernas que se instalam em aviões no estanho do castanho no forno das alquímicas iguarias de tecnologias sim aí no comércio das mercadorias o verdadeiro enfoque dos bandoleiros goleiros dos saqueios de povos inteiros quando logo após o requinte de matar enxames de sonhos predicam os direitos humanos sem nunca mencionar o robustecimento das forças de operações especiais nas si(ea)lenciosas majestosas maratonas de intentonas na expansões de operações milimétricas satelitais de drones angelicais militares na intensificação de espionagens de garimpagens de vadiagens a favor de sócios civis que favorecem os projetos imperiais no disfarce da civil funil sociedade fuzil, sem precisar mostrar a cara porque outras matam em seu lugar pelas destruições criadoras no canto do cisne do iluminista elogio ao ingresso incremente do inevitável progresso saliente nas bordas da razão do vazio da pax romana da pax americana da pax classe mediana da pax germânica a pax francesa a pax italiana a pax inglesa a pax portuguesa a pax holandesa a pax dos impostos postos repostos nos depósitos monumentos à barbárie de seres devotos aos castos castigos dos vitoriosos sempre a retomar o que foi séquito de tiranos no sorriso das cortes as cantigas de poetas palacianos nas ribaltas altas das sentenças das subjetividades de danças nas canções das perambulações dos agregados satélites dos prestígios das forcas nas cadeiras de reis ao pé do ontológico do teológico do principio do precipício que era o verbo de logos lagos de prantos de quebrantos na solar regimentar lua de viração das ações das retrancas das ancas nas avalanches de lanças em perpétuas vinganças contra aberturas das estelares pujanças de futuros de bonanças lá onde o mais além do aquém é a aposta da onça nas garras das guelras das constelações se assim o decidimos no infinito que nos toma arromba assombra ser o que nunca podemos virar rendidos nas rendas prendas funéreas das faraônicas plutônicas taras de morrer enquanto simplesmente se assim o desejássemos o cortejássemos o buscássemos o não alcançássemos e mais então o transformássemos no rio galáctico do indefinido infinito que na eternidade nos espera e, ainda que só pensamos na foice do ventre pestilento da morte, é na embarcação ondeada de improváveis nortes que encorajássemos a ancorar nossas louváveis sortes

21 de jun de 2015

amor

audácias
mais audácias
sempre audácias
atrevidos
mais atrevidos
sempre atrevidos
insubordinados
mais insubordinados
sempre insubordinados
desafiantes
mais desafiantes
sempre desafiantes
Loucos
mais loucuras
Sempre loucos
confiantes
mais confiantes
sempre confiantes
novo
de novo
sempre
novo
vivo
mais vivo
sempre vivo
impossíveis
mais impossíveis
sempre impossíveis
utópicos,
mais utópicos
sempre utópicos
humildes,
nunca humilhados
sempre humildes
rés-do-chão
mais rés-do-chão
sempre rés-do-chão
solidários,
mais solidários
sempre solidários
safados
mais safados
sempre safados
esboço
mais esboço
sempre esboço
revolucionários
mais revolucionários
sempre revolucionários
comum
mais comum
sempre comum
sul
mais sul
sempre mais sul
alegrias
mais alegrias
sempre mais alegrias
criação
mais criação
sempre mais criação
porque
já basta de centros
aristocráticos
aristográficos
linguísticos
financeiros
comunicacionais
epistemológicos
egóticos
tecnológicos
humanísticos
parentais
grupais
eternos
eventuais
econômicos
religiosos
étnicos
heterossexuais
bélicos
imperiais
regionais
locais
culturais
tretais
amor
mais amor
a quaisquer
sempre
sem favor
mas ainda
sempre
no pecado do pudor
mais amar
o vetor infinito
sem patriarcados
do frescor

1 de jun de 2015


prestar serviço ao tio Sam
em nome
de
Alá
Em
Nome
De
Cristo
Em
Nome
De
Buda
Prestar serviço ao tio Sam
Em nome
Da
Cor da pele
Em
Nome
De seu bioestilo
Sexual
Individual
Tribal
em nome
da
direita
da
esquerda
Prestar serviço pro tio Sam
Em
Nome
Do pobre
De
Sua
Classe social
Prestar serviço pro tio Sam
E,
Em seu nome,
Se matar

28 de abr de 2015


desautorizar o autorizado
deslegetimar o legitimado
quebrar a magia do porta-voz
estar sempre
entre
umas e uns
quaisquer

5 de abr de 2015

no outro lado do front vi a refração das alfabetizadas ciências deus meu vi o engenho e a arte longe dos barões bufônicos das prosódias divinizadas das seis entidades orquestradas como mísseis de calar dos modernos tempos antigos vi o inglês, o alemão, o francês, o italiano, o espanhol, o português vi ideologia humanista nas seis pirâmides escriturais nas bocas dos sacerdotes dos monastérios os latins ministeriais das sagradas letras dos poemas nos boquetes dos iniciados em palácios de elmos lambendo as glandes das poses das correções ortográficas engolindo as porras das sintaxes na ordem das concordâncias nominais engravidados pela garganta profunda dos espectros verbais vi o monumento à barbárie dos hexagramas das teogonias ocidentais vi a bíblia das traduções imperiais na patrística das metafísicas nas pontas do ceu da boca nas palavras dos seres angelicais vi no outro lado do front as girias dos analfabetos poemando os cristais nos banhos ilimitados dos mananciais despoluindo-se das seis pragas fundamentais surfando no chafariz das praças públicas os erros insubordináveis das coordenadas feiras informais subtrativas das adições em e de e com e pra e por aí sem meus sem seus soprando o castelo de areia das seis famílias gramaticais nas nuas falas dos barbarismos fenomenais as ruas dos coloquialismos sim por aqui de tão lá cantando plurais

26 de mar de 2015

a classe média e o povo


entre os dois
o endeusado,
deus sempre usado,
ótico ótimo despótico
sério
engana-dor,
o saquea-dor,
e o
roubado
humilhado
ignorado
assassinado
entre os dois
entre o rico e o pobre
a classe média
é o pêndulo
se vai pra direita
é meio
imbecil
meio
cafajeste
meio
indiferente
meio
cínica
meio
metida
meio
besta

sempre no meio
da pretensão
da ostentação
da louvação
quando
no meio
da mistificação

mas
se vai
o pêndulo da classe média
pra esquerda
é meio socializante
a classe média
meio
inteligente
meio
fascinante
meio
interessante
meio
instigante

e pendula
pra lá e pra cá
pendula
pendura
na forca
o pinto
de choco
ovo
abortado
do que poderia ter sido
a gema
e nunca será
a média classe ema
nem rica e nem pobre
sem teorema
no insosso odre
algema:
repuxos
pulsos
dilemas

embora
do devaneio
a perdição comum,
se multitudinária,
incomum,
porcada vara ara vária
diabolicamente unitária
ainda que quixotesca
hilária
noturna e diária
na boceta
que ainda pulsa
na pica
que ainda pulsa
no cu
que ainda pulsa
o fluxo e o desfluxo
de entes
fora do entre
ainda impulsa
a orgia
da putaria
do raso e do profundo
mundo
de entre
tetas e tretas e letras
amplexos e complexos
reversos e inversos
revertidos e pervertidos
de sísmicos
sinais
vitais
canais
sociais
imorais
pluviais:
labuta
a puta
cérebros e pernas e braços
é polvo o caranguejo ouriço
ouço:
a lama, o caos, a luta
vejo:
bandas bandidas badernas de bandos passos
e,
de novo,
riachos de diachos
o dês-ordinário
o inclassificável
o incendiário
o revolucionário
o povo