28 de dez de 2018

dinheiro



antes
era pão e circo
e o cacete como pão que bate
na arte de matar, cão que late,
no bode expiatório, a guilhotina
no pescoço da soberana plebeica praça
hoje é urânio empobrecido
fósforo branco e círculo midiático
onde tudo é arte que arde,
ardil
funil
fuzil
de ícones de artilharias
nas edições de armas satelitais
contra a praça súdita
garras amarras virtuais
na Terra carcerária,
pois agora a ágora é o planeta campo de concentração
planeta palestina, território sem povo
e povo sem território, onde bomba é tudo,
em tempo irreal, supõe-se, supositório
de lunáticas radioativas partículas de
envoltórios zumbíticos vivos incendiados
incendiários, planeta
guilhotinado, enforcado,desmembrado,
sacrificiado
nos vários seres mortuários, viciados,
por plutônicas ontológicas cosmológicas
inspeções galácticas de drones drops
fotoativos, putativos, objetos mostruários
no dentifrício no corpo cabeça sexo estomagado
esmagado
emparedado
avacalhado
suicidário
nos condenados da terra,
esmigalhados
num périplo enxame de vexame
sobre a pele do planeta humilhado
num colateral genocídio mundial
patrocinado por múltiplas poses
closes
de frente
de costas
de lado
em pé,
deitado
de cócoras
de quatro
pro grande irmão, o dinheiro
big Money
o cordeiro de deus,
o sacrifício,
o dinheiro mete na química do vício
do orifício do cio da física
no miolo das forças da terra, os ofícios
tiram daqui a metafísica
o dinheiro
mete na física dos canais
dos anais
vaginais
picais
o dinheiro
este puteiro
do sofrimento humano,
inumano,
o puto,
o limpo
Olimpo
seja mais impuro que o dinheiro
seja mais abstrato
corpos
em dispersão
em conspiração
em revolução
seja a suruba que ele não pode ser
a suruba de demos
sem cracia
sem polícia
sem concentrada
mais-valia
seja o puto sem um puto dinheiro
faça todas as combinações
mais que as absurdas concatenações,
do dinheiro
seja mais sujo
que o dinheiro
e não seja nada
antes de tudo
que o dinheiro te pega na encruzilhada
o canhão do dinheiro no seu cu
indecente
demente
culpado
seja pecador
mas não seja porra alguma
principalmente não seja porra
o dinheiro te pega
te imprime
te faz gozar
gozzzzzaaaaa!
filho da putaaaaa!
gozzaaaaa!
bastardo!
com a pica do dinheiro
no cu de seu buraco do nariz
no verniz dos tímpanos címbalos
dos símbolos do umbigo de sua boca
de edípicos esfíngicos vínculos
não seja nada
apenas
o inusitado
o imprevisto
o impensável
o impossível
o inacreditável
a metáfora literal
não seja o dinheiro
este que
nada vê porque tudo quer ver
nada sente porque tudo pressente
nada pensa porque a tudo compensa
nada goza porque em tudo, comprando,
rende e ata
encena e mata
o dinheiro
delira
a pornografia do dinheiro
meninas
sem pernas
meninos
sem braços
homens
sem dentes
mulheres
sem mentes
delira o dinheiro o empalo
das guerras
psicológicas
midiáticas
eróticas
étnicas
econômicas
religiosas
filosóficas
românticas
realistas
surrealistas
naturalistas
delira, o dinheiro,
o genocídio do cu lateral,
também conhecido
como colateral
colérico, o satélite no cu
no deus que tudo vê e maldiz
o dólar que quer
ter tudo
ser tudo
conter tudo
o dinheiro, esse homo sacer
eu sou o santo sudário dinheiro que a tudo compra
a tudo comporta a tudo porta a tudo força
a tudo forca
no tudo vende
sua mãe
sua irmã
sua filha
sua sinergia
seu sexo
sua entropia
eu sou o grande rei
o deus desde antes de deus
o que do lado do triângulo quadrado
é alado do alto no baixo de sentimentos
de indiferentes diferentes polígonos
de
distâncias
reentrâncias
elegâncias
vinganças
esperanças
arrogâncias
matanças
de danças
ancas
panças
no próximo, aqui, olha, no seu umbigo
o dinheiro é oblíquo
ubíquo demo
ubíquo deus
ubíquo falo
ubíquo halo
ubíquo talo
o dinheiro
sorrateiro
arroga todos os direitos
de
criar
foder
de
amar
sorver
de
trepar
intrometer
de
pecar
absolver
de
confessar
viver
de
desejar
requerer
valores ou de determiná-los,
maldito seja o impessoal dinheiro,
personalíssimo
o realismo que abraça a sua armadilha
utópica
na força que não subsistiria se não tomasse emprestado as máscaras
das forças precedentes contra as quais a luta é o ser da força é
o plural das lutas na constelação das forças
O estado foi preparado para um povo e outro tomou seu lugar
O povo dinheiro
mercadoria na prateleira do lobby na ovelha do lobo
o lóbulo nas cifras na lobotomia
especulativa no cérebro tomista
na bunda intestinal na merda perfumada
do chiqueiro chique do embusteiro
banqueiro
o dinheiro
Onipresente cérebro eletrônico
Grande irmão
Abraxas
Trepa trepa trepa
Trapwire
O arame da força do farpado do espinho do porco
No dorso do corpo
Dos dispositivos classificatórios coloniais
Dos recursos tecnológicos atuais
No cruzamento de informações
faciais
globais
sinais
no google da bola na trave ave
de seu gol
Pois o dinheiro é o terráqueo deus
tem sua glória em sua multiplicação
e acumula por acúmulo de absurdas
expansões
despossessões
manipulações
difusões
ilusões
variações de cinéticas
panópticas missões
sensações
de
intromissões
submissões
o dinheiro é a ordem
da confusão
ação de ações
na bolsa do subprime
nos corpos de santo daime
dai-me, senhor,
em profusão
o próprio impróprio
dinheiro
em gasosa panteísta
combustão
mercadoria dinheiro mercadoria
dinheiro mercadoria dinheiro
dinheiro dinheiro dinheiro
puteiro puteiro puteiro
bíblia putaria bíblia
puta santa puta
no versículo do discípulo
do missionário vínculo do visionário
com
o messiânico santo justiceiro no desempregado
dinheiro
que, em nome Dele,
do imperialismo dinheiro
da OTAN dinheiro
do Ocidente dinheiro
da democracia dinheiro
do petróleo dinheiro
do narcótico dinheiro
em nome Deles
ópio dos oligarcas
o dinheiro compra os desarmados
de dinheiro
no planeta da igreja do dinheiro
o dinheiro compra o lumpenproletariat
civiliizat
letrat
informatizat
europeizat
americanizat
zapping
system
spion
parasites
o dinheiro compra todas as encrencas
e impõe o velho testamento das crenças
no novo testamento nas telas das horrendas seitas
hodiernas
pois, nelas,
tudo é conjunto do disjunto de estar odialmente juntos
no câmbio dos juros nos perjuros dos malditos subconjuntos
onde se o punheteiro dinheiro fosse uma televisão
não veríamos na tela plana dele
não veríamos plenamente
pecuniariamente
o furacão de compras e vendas do embrulhado
planeta mercadoria
não veríamos
no dinheiro
no dilúvio a vácuo no pacote global inteiro
não veríamos
o conteúdo
sofrimento
genocídio
ecocídio
infanticídio
fundamentalista
ciocídio
artístico
do bombástico dinheiro
com suas bombas de buquês
de
sensatez
cortês
freguês
burguês
não veríamos
na televisão do dinheiro
uma criança descalça com
uma pedra na mão
uma metralhadora na mão
uma dinamite na mão
uma dívida no coração
ou uma sem mãos
nas pernas
ou uma sem pernas
nas mãos
no desfigurado rosto do neutro dinheiro
não veríamos o corpo
sem
cabeça, orelha, olho, boca, pés, pele, dedos rins
estilhaçado
nos muros brancos
de buracos negros
no rosto do dinheiro
não veríamos
a dor
na televisão do dinheiro
de não tê-lo
a dor de ser
atacado
caluniado
abandonado
matado
pela guerra
de espectro total
mentira total
sorriso total
diplomacia total
indiferença total
hipocrisia total
sortilégio total
engano total
tesão total
fusão total
totalitarismo total
pelo
sem ismos
do insosso
inocente
dinheiro
não veríamos
na prata do dinheiro
idiotismos
o ouro
que reluz
quando
sem o dinheiro e seus visgos
somos luz
e nada nos
conduz
induz
senão,
sem um puto dinheiro,
a alegria
que nos seduz
de graça
sem compra/venda
a alegria
de
viver
sem rendas
sem vendas
livres
prendas

11 de jun de 2018

revolução

revolução

sim
à vida
sem cordeiro de deus
que tirais o pecado do mundo
sim
à vida
pecaminosa
vertiginosa
que semeia pecados imundos
sim,
à vida nua,
despossuída,
de qualquer r´um
ou uma
puma
nunca retida
ou vendida
ou convencida
ou convertida
pluma
sim
à vida
vestida de travestida
em vias de algaravias
fora das babélicas sesmarias
das poses das posses
divididas romarias
sim
ao amor
vil
inverossímil
não servil
sem objeto
sem sujeito
sem peido mercantil
sim
ao destino solto
revolto
sutil
fora do
covil
seja
peitoril
fértil
débil
febril
nem juvenil e nem senil
fora do que se vê ou se viu
sim
à vida
estéril
abril
o mais azul dos meses
ardil
fora
do pentágono
do catálogo
do monólogo
hamletiano
de ser ou não ser
prussiano ou americano
sim
à vida
fora dos monopólios
interpretativos
especulativos
econômicos
monogâmicos
simbólicos
educativos
sim
aos vendavais
fluviais
plurais
sem rosto
sem posto
sem custo
ou encosto
sim
ao fora
da austeridade
de ser o que temos sido
sim
ao o que não temos sido
nem sentido
nem tido
nem vivido
nem crido
nem contido
sim
à coragem que nos
cantaremos
louvaremos
faremos
pensaremos
alegraremos
bendiremos
cuidaremos
cobrando impostos
sim e daí?
aos capitalistas
aos realistas
aos sensatos
aos legalistas
aos rigorosos
aos sérios
aos hipócritas
aos presunçosos
aos burocratas
aos moralistas
a todos enfim
que dizem
muito embora
não é hora
agora
agoura
porque não é possível
não vai dar certo
não é factível o matriarcado de pindorama
onde,
sem cadeia
imperialismo
colonialismo
prostituição
exploração
psicologização
subjetivação
malogro
os
saberes
viveres
teres
quereres
seres
universais
fora dos sais
salivais
dos mais gozais
dos
rituais
mananciais
cerimoniais
batismais
dos que dizem
sim
à experimentação
à imaginação
à fornicação
à ação
à revolução
fora das metafísicas
dos sistemas de revés
que convém
ao vicioso convés
do círculo do avesso
do índice do invés
entre
o negro e o branco
o pobre e o rico
o oprimido e o opressor
o aqui e o lá
sim
à vida
livre
no tempo
fora dos veredictos das verdades
livre
no espaço
fora dos muros das propriedades
livre
no acontecimento
fora das notórias previsibilidades
livre
do trampolim do outro
como
limite
idealidade
negação
confirmação,
desejo
tentação

sim
à vida
nas asas incríveis
do
emporcalhado
inclassificável
ingovernável
avacalhado
sem
Zeus ou Deus
povo

7 de jan de 2018

estados unidos

46 milhões de pobres
sem perspectiva alguma de sair da situação de
pobreza no país do dinheiro-deus
com mais pobres empurrados dólares abaixo
pros abismos da humilhação, fome, desespero,
1 de cada cinco crianças passa fome
26 milhões de pessoas necessitam do programa federal de alimentação pra se alimentarem
1 milhão de pessoas sem lugar pra morar
Dos quais mais de 100 mil são veteranos de guerra
9 milhões de emprego se esfumaram com a crise econômica provocada pelos banqueiros
O nível de violência doméstica foi às alturas infernais
A violência urbana cresce incontrolavelmente dia a dia
O país com o maior contingente de presos do mundo
O país com a mais próspera indústria carcerária do mundo
Dos miseráveis
Dos famintos
Dos empobrecidos
Dos violentados
Dos assassinados
Dos sem casa
Dos
Dos
2/3 são negros, mulheres, crianças, idosos, gays, latinos, mulçumanos
Enquanto isso,
O 1% mais rico jamais foi tão rico
com incremento de mais de 80 por cento de suas
fortunas nos últimos 6 anos
enquanto isso
a guerra americana contra o mundo
agora também é
ao mesmo tempo
contra os americanos
negros, mulheres, crianças, idosos, gays
enquanto isso
o consumo de luxo
iates
aviões particulares
helicópteros
manjares
marcas
marcas
marcas
de
exibicionismos
de
esnobismos
de
filisteísmos
de
racismos
de
elitismos
de
arrogância
de
estupidez
de
egoísmos
( depois dizem que os ismos não existem)
Não param
De
Crescer
De
Matar
De
Excluir
De
Humilhar
De
Querer
Mais
Guerra
Contra
O
Mundo
Mais
Guerra
Contra
Os americanos
Pobres
Negros
Mulheres
Gays
Latinos
Enquanto isso
Ou
Pra manter isso
Pra piorar isso
Querem
O nosso petróleo
Invadem
As
Ruas
Brasileiras
Invadem
Nossos computadores
Invadem
Nossas
Histórias
Invadem
Nossos
Amores
Invadem
Nossos
Lutas
Invadem
Nossos
Sonhos
Invadem
Nossos desejos
Enquanto isso
Usam
Nossos
Juízes
Nossas
Globos
Nossas
Classes médias
Nossas
Prosódias
Nossas
Vaidades
Nossas
Subserviências
Nossas
Ignorâncias
Pra
Prender
O
PT
Cujo
erro
cuja
corrupção
cuja
traição
tem
a ver
com
não
denunciar
tudo
isso
de
não
acabar
logo
com
a
festa
do
1%
Por cento
Que
Também
Se enriquece
Como
Nunca
No
Brasil
Enquanto isso
Preparam
O
Ovo
Da serpente
Mais
Falsa revolução
De
Banqueiros
De
Juízes
Embusteiros
De
Jornalistas
Navais
Fuzileiros
Contra
Tudo
Que
seja
- Sendo
Cosmopolita-
brasileiro


31 de dez de 2017


AMOR
um amor me pegou, tão estranho amor , tão-desalmado, tão-outra-coisa, que me levou sem mim, pra um lugar distante-aqui, que explodi-implodindo, e estava tão disperso em minha concentração distraída de mim, que me arremessava a favor do abismo raso de cair, sempre, sempre, dentro de um outro fora, voando ao caos, ao leu, desencontrado, por aí, o amor não é dor, dor é amar a gente mesmo, o amor é o desespero dos genocidas, das formicidas, o amor, engana-se quem pensa que morria, engana-se quem pensa que enlouquecia, engana-se quem pensa que sumia, engana-se quem pensa qualquer pensamento. o amor é impensável, e me achou naquilo que não existo, e nem posso, existir. o amor é resistir ao ser, é uma impropriedade, um desvio, um erro, um apesar da gente. o amor é o deserto do ego, é habitado por seres mutantes, um amor-fêmea, um amor-árvore, um amor-barata, um amor-verme, um amor-flor, manhã de noites, um amor-vento, um amor-sol, um amor-pedra, um amor-sem-nome, sem sobrenome, comum em sua singularidade. o amor me não amou, me odiou, me matou. o amor me isolou de tão próximo, me levou pra longe, pros olhos da cabeça do coração da mão da alma dos corpos de um qualquer, o amor é qualquer. o amor faz esquecer que esqueci, faz lembrar o que me lembrava, faz recordar esquecimentos: a lua, o sereno, o escravo egípcio, a mulher feiticeira, a palavra que ninguém ouviu, nem quem a produziu; a audição recusada, a da índia aqui alhures no tempo, ouvindo o último lamento de nascimento de seu bebê queimando o vestígio de amor no coração do rei de Portugal, de Espanha, de um rei qualquer, de um rico qualquer, o coração de amor queimando ao queimar do bebê da índia, num dia indeterminado, o amor em cinza dos saqueadores de olhar, de ouvir, de falar, de brincar, de abraçar, de pensar, de amar, de inventar. o amor me engravidou de mundos, me outrou, me levou e me chamou de um nome que não me encontrou: não está, o luís, não esteve, não estará, pois o amor me reencarnou de marias, de pedros, de sebastianas, de floras e de faunas, quando amou a alma do verde do vermelho do negro do branco, nesses azuis, por aí.

10 de dez de 2017

venezuelar

não existem alternativas
o inevitável
– parada cardíaca
no miocárdio
do cardápio
ocidental–
circunda
o dentro
e o fora
do dentro
cobrindo
a carapuça do capacete
envenenado
na ponta da flecha
do míssil
da plutônica
ogiva de veneno
na peçonha ditirâmbica
dos rostos
civilizados
o disfarce
de primaveras
da história
de outonos
nas
folhas caídas
da noite
solar
dos tempos
roubados
dos
outros
chamados
de bárbaros
onde nascer
uma aventura prodigiosa
tornou-se
por um desvio do desvio
das vias desviadas
de
amar
cantar
pensar
o horizonte
dos começos
do matadouro
no chifre do touro
o estouro
da bomba
do
acatemos
aceitemos
rebaixemos
humilhemos
amedrontemos
aos fluxos
furtos
nus
do dinheiro
na veia
o pus
do
convertido
trabalho
vertido
à
nudez
vestida
da ordem
da igreja
monumental
onde
mesmo a desordem
ainda
que
horizontal
do
capital
na dança
das pernas
o bigode
do
bode
passeia
nos bondes
dos
condes
na fruta
da
ponte
onde
na passagem
das horas
das floras
esconde
o bote
da cascavel
no véu
da noiva
afoita
pelo
o que
não terá sido
não poderá sido
não quererá sido
não ficará sido
no existido
de
fazer outra coisa
outra forma disforme
estar
e
acontecer
no mundo
sem nada
das roupagens
de perambular
na
fechadura
das
casas
e
das
ruas
e
das
luas
quando,
através delas
somos
espionados
sem cessar
no ciberespaços
das intrigas
de
caçar
esquadrinhar
apequenar
as ciberguerras
de
enfeixar
o que é sim
evitável
o que é sim
possível
o que é sim
incrível
o que é sim
viável
o acúmulo
ao cubo
do quadrado
da potência
infinitésima
das
muitas
vidas
que vivemos
e
ainda que
- caladas
matadas
radiotizadas
roubadas
idiotizadas -
viveram
o que não
estava
dito
escrito
previsto
visto
sido
tido
querido
no gesto mesmo
do arco-íris
das
palavras
na vida
mesma
não
vivida
tida
vista
querida
conseguida

onde
nascer
é uma
aventura
futura
no
presente
que
nasceremos
de
passados
das muitas
mortes
que
achando
nos matar
nos atar
nos acabar
fracassar
inviabilizar
viram-se
surpreendidas
por
lances
de
dados
nunca
de
dardos
de
mortes
que
nunca
são
individuais
e
que
os matando
os
famintos
de
vidas
semeavam
floreavam
mais
nelas
nas
outras
vidas
que
acreditavam
mortas
e
de
repente
com a
morte
do
combatente
do
comandante
o
mandante
com
o
diante
contra
todos
os
inevitáveis
todas
as
fatalidades
todas
as
certezas
todas
as
asperezas
todas
as
avarezas
contra
todos
os
não
ao
sim
do
sim
do

o
constelar
agitar
do
mar
na ribanceira
do
acreditar
ali
no
aqui
do
acolá
fora
das
alternativas
exclusivistas
de
ou
se matar
ou
se acovardar
a alternativa
sim
de
- a única –
venezuelar
e
na
coragem
nossa
viver
sem
nos
engaiolar
soltos
no
estrelar

17 de nov de 2017

fim da metafísica
a civilização não
su
prime
com
prime
re
prime
a velha barba abraánica de terremotos maremotos de nostálgicos álgidas
algemas cálidas dos soberanos
bárbaros deuses de patriarcados de incautos cautos cios de sacrifícios
a barbárie
ela na flanela da janela da panela da cancela dela
a aperfeiçoa
a incrementa
a enfeitiça
a pluraliza
mortadela
a remodela
numa massiva e persistente dormente lavagem
de
consciência de veladas velas
de
sexo na bunda das mexidas das gozadas manivelas
de
peles que são carnes de vitelas
de
rins no coração do estômago nos sangues
das
querelas
no seio do bico da bandeira da
épica confeitada torta de horta morta
na ambição dos efeitos de outorgar aos ceus
a confiança na virtuose da virose
sempre apostando na apostasia
do ocidente destino manifesto
ao alcance universal da conquista de uma feliz empresa
burguesa no hamburguer endocolonial escrotal monumental
demencial paradoxal incremental e tal no surf das ondas das
exigências de sacrifício às dolorosas realidades dos danos colaterais
na lateralidade literal da metáfora sapiencial do espacial programa vomitado dos mísseis aerodinâmicos nas rodas dos êmbolos dos bolos de bits de ciberguerras nas ciberseguranças nas ciberestratégias de prestações de das cibertáticas catárticas no meio das sociais perambulais afetais ciberredes conversacionais no lusco-fusco das filosofais poetais brumas brancas castas de casas sem asas tripuladas por aviões sem tribulação nos remotos tribunais de controles internacionais da eticidade da legalidade dos assassinos seletivos putativos vingativos no míssil no cu da coletividade no coração arcádico do ocidente imperial com seus 70 milhões de assassinatos após a segunda guerra das carnificinas nacionais sem contar os outros centenas de milhões de assassinatos colaterais ao destruir, humilhar desacreditar os grandes e orgulhosos países de varizes de narizes de mares nos ares dos amanhãs que resistem ao fascismo ao racismo ao ismo no sismo do cume do ume das veias artérias do bem que é o mal e do mal que é o bem no bater de asas da borboleta nas embarcações de aberrações de piratarias de ouros pratas minerais especiarias das e atas de paus de pernas que se instalam em aviões no estanho do castanho no forno das alquímicas iguarias de tecnologias sim aí no comércio das mercadorias o verdadeiro enfoque dos bandoleiros goleiros dos saqueios de povos inteiros quando logo após o requinte de matar enxames de sonhos predicam os direitos humanos sem nunca mencionar o robustecimento das forças de operações especiais nas si(ea)lenciosas majestosas maratonas de intentonas na expansões de operações milimétricas satelitais de drones angelicais militares na intensificação de espionagens de garimpagens de vadiagens a favor de sócios civis que favorecem os projetos imperiais no disfarce da civil funil sociedade fuzil, sem precisar mostrar a cara porque outras matam em seu lugar pelas destruições criadoras no canto do cisne do iluminista elogio ao ingresso incremente do inevitável progresso saliente nas bordas da razão do vazio da pax romana da pax americana da pax classe mediana da pax germânica a pax francesa a pax italiana a pax inglesa a pax portuguesa a pax holandesa a pax dos impostos postos repostos nos depósitos monumentos à barbárie de seres devotos aos castos castigos dos vitoriosos sempre a retomar o que foi séquito de tiranos no sorriso das cortes as cantigas de poetas palacianos nas ribaltas altas das sentenças das subjetividades de danças nas canções das perambulações dos agregados satélites dos prestígios das forcas nas cadeiras de reis ao pé do ontológico do teológico do principio do precipício que era o verbo de logos lagos de prantos de quebrantos na solar regimentar lua de viração das ações das retrancas das ancas nas avalanches de lanças em perpétuas vinganças contra aberturas das estelares pujanças de futuros de bonanças lá onde o mais além do aquém é a aposta da onça nas garras das guelras das constelações se assim o decidimos no infinito que nos toma arromba assombra ser o que nunca podemos virar rendidos nas rendas prendas funéreas das faraônicas plutônicas taras de morrer enquanto simplesmente se assim o desejássemos o cortejássemos o buscássemos o não alcançássemos e mais então o transformássemos no rio galáctico do indefinido infinito que na eternidade nos espera e, ainda que só pensamos na foice do ventre pestilento da morte, é na embarcação ondeada de improváveis nortes que encorajássemos a ancorar nossas louváveis sortes

21 de jun de 2015

amor

audácias
mais audácias
sempre audácias
atrevidos
mais atrevidos
sempre atrevidos
insubordinados
mais insubordinados
sempre insubordinados
desafiantes
mais desafiantes
sempre desafiantes
Loucos
mais loucuras
Sempre loucos
confiantes
mais confiantes
sempre confiantes
novo
de novo
sempre
novo
vivo
mais vivo
sempre vivo
impossíveis
mais impossíveis
sempre impossíveis
utópicos,
mais utópicos
sempre utópicos
humildes,
nunca humilhados
sempre humildes
rés-do-chão
mais rés-do-chão
sempre rés-do-chão
solidários,
mais solidários
sempre solidários
safados
mais safados
sempre safados
esboço
mais esboço
sempre esboço
revolucionários
mais revolucionários
sempre revolucionários
comum
mais comum
sempre comum
sul
mais sul
sempre mais sul
alegrias
mais alegrias
sempre mais alegrias
criação
mais criação
sempre mais criação
porque
já basta de centros
aristocráticos
aristográficos
linguísticos
financeiros
comunicacionais
epistemológicos
egóticos
tecnológicos
humanísticos
parentais
grupais
eternos
eventuais
econômicos
religiosos
étnicos
heterossexuais
bélicos
imperiais
regionais
locais
culturais
tretais
amor
mais amor
a quaisquer
sempre
sem favor
mas ainda
sempre
no pecado do pudor
mais amar
o vetor infinito
sem patriarcados
do frescor