21 de jun de 2015

amor

audácias
mais audácias
sempre audácias
atrevidos
mais atrevidos
sempre atrevidos
insubordinados
mais insubordinados
sempre insubordinados
desafiantes
mais desafiantes
sempre desafiantes
Loucos
mais loucuras
Sempre loucos
confiantes
mais confiantes
sempre confiantes
novo
de novo
sempre
novo
vivo
mais vivo
sempre vivo
impossíveis
mais impossíveis
sempre impossíveis
utópicos,
mais utópicos
sempre utópicos
humildes,
nunca humilhados
sempre humildes
rés-do-chão
mais rés-do-chão
sempre rés-do-chão
solidários,
mais solidários
sempre solidários
safados
mais safados
sempre safados
esboço
mais esboço
sempre esboço
revolucionários
mais revolucionários
sempre revolucionários
comum
mais comum
sempre comum
sul
mais sul
sempre mais sul
alegrias
mais alegrias
sempre mais alegrias
criação
mais criação
sempre mais criação
porque
já basta de centros
aristocráticos
aristográficos
linguísticos
financeiros
comunicacionais
epistemológicos
egóticos
tecnológicos
humanísticos
parentais
grupais
eternos
eventuais
econômicos
religiosos
étnicos
heterossexuais
bélicos
imperiais
regionais
locais
culturais
tretais
amor
mais amor
a quaisquer
sempre
sem favor
mas ainda
sempre
no pecado do pudor
mais amar
o vetor infinito
sem patriarcados
do frescor

1 de jun de 2015


prestar serviço ao tio Sam
em nome
de
Alá
Em
Nome
De
Cristo
Em
Nome
De
Buda
Prestar serviço ao tio Sam
Em nome
Da
Cor da pele
Em
Nome
De seu bioestilo
Sexual
Individual
Tribal
em nome
da
direita
da
esquerda
Prestar serviço pro tio Sam
Em
Nome
Do pobre
De
Sua
Classe social
Prestar serviço pro tio Sam
E,
Em seu nome,
Se matar

28 de abr de 2015


desautorizar o autorizado
deslegetimar o legitimado
quebrar a magia do porta-voz
estar sempre
entre
umas e uns
quaisquer

5 de abr de 2015

no outro lado do front vi a refração das alfabetizadas ciências deus meu vi o engenho e a arte longe dos barões bufônicos das prosódias divinizadas das seis entidades orquestradas como mísseis de calar dos modernos tempos antigos vi o inglês, o alemão, o francês, o italiano, o espanhol, o português vi ideologia humanista nas seis pirâmides escriturais nas bocas dos sacerdotes dos monastérios os latins ministeriais das sagradas letras dos poemas nos boquetes dos iniciados em palácios de elmos lambendo as glandes das poses das correções ortográficas engolindo as porras das sintaxes na ordem das concordâncias nominais engravidados pela garganta profunda dos espectros verbais vi o monumento à barbárie dos hexagramas das teogonias ocidentais vi a bíblia das traduções imperiais na patrística das metafísicas nas pontas do ceu da boca nas palavras dos seres angelicais vi no outro lado do front as girias dos analfabetos poemando os cristais nos banhos ilimitados dos mananciais despoluindo-se das seis pragas fundamentais surfando no chafariz das praças públicas os erros insubordináveis das coordenadas feiras informais subtrativas das adições em e de e com e pra e por aí sem meus sem seus soprando o castelo de areia das seis famílias gramaticais nas nuas falas dos barbarismos fenomenais as ruas dos coloquialismos sim por aqui de tão lá cantando plurais

26 de mar de 2015

a classe média e o povo


entre os dois
o endeusado,
deus sempre usado,
ótico ótimo despótico
sério
engana-dor,
o saquea-dor,
e o
roubado
humilhado
ignorado
assassinado
entre os dois
entre o rico e o pobre
a classe média
é o pêndulo
se vai pra direita
é meio
imbecil
meio
cafajeste
meio
indiferente
meio
cínica
meio
metida
meio
besta

sempre no meio
da pretensão
da ostentação
da louvação
quando
no meio
da mistificação

mas
se vai
o pêndulo da classe média
pra esquerda
é meio socializante
a classe média
meio
inteligente
meio
fascinante
meio
interessante
meio
instigante

e pendula
pra lá e pra cá
pendula
pendura
na forca
o pinto
de choco
ovo
abortado
do que poderia ter sido
a gema
e nunca será
a média classe ema
nem rica e nem pobre
sem teorema
no insosso odre
algema:
repuxos
pulsos
dilemas

embora
do devaneio
a perdição comum,
se multitudinária,
incomum,
porcada vara ara vária
diabolicamente unitária
ainda que quixotesca
hilária
noturna e diária
na boceta
que ainda pulsa
na pica
que ainda pulsa
no cu
que ainda pulsa
o fluxo e o desfluxo
de entes
fora do entre
ainda impulsa
a orgia
da putaria
do raso e do profundo
mundo
de entre
tetas e tretas e letras
amplexos e complexos
reversos e inversos
revertidos e pervertidos
de sísmicos
sinais
vitais
canais
sociais
imorais
pluviais:
labuta
a puta
cérebros e pernas e braços
é polvo o caranguejo ouriço
ouço:
a lama, o caos, a luta
vejo:
bandas bandidas badernas de bandos passos
e,
de novo,
riachos de diachos
o dês-ordinário
o inclassificável
o incendiário
o revolucionário
o povo

16 de fev de 2015


legião americana
nada mais fez que acreditar no que nos dizem, que a democracia é o governo do povo que a liberdade de expressão assim é se o dissenso for sua asa de sucuri rastejando no arco-íris sem espiões não tripulados vivia a palavra amor como ato puro da criação de si por meio da nudez recíproca sonhava em ser aviador adorava a elegância dos urubus com seu voo de bailarina de penas pérolas negras tinha 11 anos seu nome era mohammed al-jahmi tuaiman de Iêmen depois que a máquina da morte queimou seu pai e sua mãe substituiu o sonho pelo medo não entendia como do ceu de repente pudesse surgir o fogo do inferno justo o ceu em que voava dançando na imaginação em 2015 fez 13 anos o antigo testamento invisível o mirou a partir das vibrações do chip do telefone de seu irmão mais velho igualmente tornado carvão pelo cuspe de fogo das nuvens estavam todos na lista dos terroristas elaborada pela ditadura que faz cinema com os sonhos alheios enquanto decide a morte coletiva no sábado dia 16 seu celular herdado tocou sob a forma de uma explosão agora é apenas o toco de carvão humano no mesmo instante que a voz rouca dos trovões acionou seu número de celular o destruindo Obama com um pau de selfie tirava foto de si da Casa Branca sorrindo nas telas de televisão e de computador de todos os lugares do mundo adiantaria pouco dizer que ele um dia aprenderia se ressuscitasse que a máquina de matar além de se chamar dron avião não tripulado TV globo filmes infantis é antes a legião americana nos queimando vivos

29 de nov de 2014



transdado estético
de margens, excesso de margens de centros: periferias, objetos
simbolicamente desauralizados, assim talvez se faz para escrita poética, assim se faz
constituição estética do anarquo-infinito-teodemonológico: modo de derrame de
pauta, de branco, de vazio, de cheio, como manga que borra, porra, como
beijo, pés em barro, como rio sem barranco, silêncio, como grito, estar
dentro e fora, como uma velha boceta em rasura, em usura, em usar, libidinal; como
mendigo em cama de casal, medieval; rua em tra
vesseiro, viaduto; como criança rabiscando, assinatura de agora em agora de viver; como
cidade sitiada pela ordem do bem vestido, do bem falante, do bem morado, do bem
humorado, da elegância, do regime do muito, do muito arregimentado, espelho de carro
2

fechado no fechado sinal, vermelho sangue fora de corpo sem sangue de moleque pelado
ao lado do lado, desladando, sem dando, sem dado, como se, num lance de desdados, a
cidade, na rua, em algures, um menino e uma menina visse, cagando no passeio da serra
dos horizontes, achados, ocupados, a mosca, as cócoras, os carros, o limpo, o rico, o pobre,
quem caga, quem mija, quem peida, quem esconde, no esgoto, no fundo do rio, na lagoa da
pampulha, sua bosta? ; como
despoética poética sem economia, economia sem poética, poiesis de resto, resto de
sobras, sombras de quem não mais quer sendo para quem recome, luminosidade de fome;
como ritual de escrita, corpo no branco da tradição, ressurreição de dizer em

3
escada; como degrau sem outros, escada horizontal, como amarelinha de jogo, como
chão, saltitos de pontaria, em lançar-se em erro e acerto de coração; como olho não
brilhante que mais brilha assim, não-sim de desejaria; como verdade de artifício,
via que desvia, desvio que leva a mundos, coisas, vidas, olhos, mentira de desnarcísio,
sem superego, ser coletivo e indivíduo, como universal com relativo, província de olhar,
de toque, de tesão, de tribo, cosmos onde cabem todos, cada não-cada é cosmos de todos;
como linha que se póscreve, aquém de além; como brasilidade triste em ou sem trabalho,
voz sem tom, sem signo, só referente, só coisa de querer: tênis, moda, olhar, carro, casa ,
de

4
alegria de incluir-se, de desexcluir-se, carnaval sem apoteose, sem vídeo, simplicidade
difícil de virar-se, sem força tendo, desfazer de feito, de bem feito, bagunça, outra sintaxe,
de cabeça para baixo, como gravidade sem peso, terra que é bola, cabeça, poros, alma, de
não saber de embaixo, de encima, danae tecente em tempo dourado pelo nilo, pelo
amazonas,
pelo são francisco, pelo rio pomba, de aldeia, porque de banho, de pelado mergulho, de frio
em sexo, em bunda, caixa de papelão de afetos; como ninfomaníaca, a pretexto de ser
tratato
médico sobre sexualidade da tara mulheril, implode margens de ciência, umbigo de
sonho, objeto estético transestético, tem algo de antes e de depois: não existe


5
estético segmentado, estético estético, porque assim será , incorrerá em erro de saber fazer,
de falar em nome de, mesmo de estético. estético de não saber fazer, de não falar em nome
de, em só através de, em revés. Assim, também Sertões, saindo da margem
positivista , tratado geográfico-antropológico e histórico do homem nordestino, se torna
escrita desdizente daquilo pelo qual queria ou pretendia falar, escapa-se de si,
de seu conselho editorial, num antônimo conselheiro, desaconselha a monarquia , a
república, o socialismo, os sistemas, e desentope a utopia de sua torpia, de seu lugar de
muro, bolso, de bolsa, de igreja lobal, do canal dominical, e desvela diferença:
perplexidade de vivente, condição de
translimites, de perpassar. jogo de fronteiras de saberes, escrita de corpo, corpo de
escritas, fala de verbo e de carbono, de outra coisa de não canto de poder, de lado de si de

6

não ver mundo, e infinita possibilidade sendo: gesto, cor, sopro, escuro, luzidade,
vaga-lume, criança, choro, miséria, mortes, de translimites de limite de si, fechamento
entorno de defesa de privamentos, em lógica de apesar de. escrita que não seja pinto duro,
nem mole mas que seja corpo em corpo, em corpos, escrita de vida: grito, silêncio, pouco,
muito, nada, quase. Escrita desacreditada, sem crédito, mas escrita que fale e desperte
meios sorrisos, ironias, paixão, efusão de transescritas: olho que brilha, corpo que
desinquieta, gesto que desloca, pele que transpira, sem dente que ri, sexo que dá nada
que seja escolha limite: dinheiro, jeito-mito de ser saúde, roupa, riso, fala, carro, abraço,

7
decodificação, presença, transcrita de sem família minha, sem religião grupal, sem
possuído , sem guardamentos
de coisas, de sombras, de luzes, de afetos, escrita que não se escreve, escrita na cripta pedra
vaginal de ser clitóris, de ser pau, de ser gozo ambíguo, nunca umbilical. escrita de
transescolha, sem presença estandarte, de ausência pequena, forte, assustadora, porque não
ainda, não já, não dentro, não fora, em todo lugar, infiltrada, como história sem narrador, s
sem narrado, sem persona, só agem: aragens de si. pobre despobreizado, infelicidade feliz,
desnutrição nutrida, rio arruda de peixes, analfabeto transitelectual, ambrosia em mão
que esqueceu de anteceder saciedade, olho que deseja, desejo, comendo, metendo, dando

8

transindividuando, transdepossuando, transmordendo, tocando, gargalhando, encontrando,
mudando, vitalizando, solidariedadizando, desmatando a mim em desejo perto,
deslimitando não ver moral, normal, educacional, gramatical, instituindividual, vendo
transcorpos, infracorpos de transcorpos,
em
lúdico de não ser lúcido