15 de dez de 2007

AMOR

um amor me pegou, tão estranho amor , tão-desalmado, tão-outra-coisa, que me levou sem mim, pra um lugar distante-aqui, que explodi-implodindo, e estava tão disperso em minha concentração distraída de mim, que me arremessava a favor do abismo raso de cair, sempre, sempre, dentro de um outro fora, voando ao caos, ao leu, desencontrado, por aí, o amor não é dor, dor é amar a gente mesmo, o amor é o desespero dos genocidas, das formicidas, o amor, engana-se quem pensa que morria, engana-se quem pensa que enlouquecia, engana-se quem pensa que sumia, engana-se quem pensa qualquer pensamento. o amor é impensável, e me achou naquilo que não existo, e nem posso, existir. o amor é resistir ao ser, é uma impropriedade, um desvio, um erro, um apesar da gente. o amor é o deserto do ego, é habitado por seres mutantes, um amor-fêmea, um amor-árvore, um amor-barata, um amor-verme, um amor-flor, manhã de noites, um amor-vento, um amor-sol, um amor-pedra, um amor-sem-nome, sem sobrenome, comum em sua singularidade. o amor me não amou, me odiou, me matou. o amor me isolou de tão próximo, me levou pra longe, pros olhos da cabeça do coração da mão da alma dos corpos de um qualquer, o amor é qualquer. o amor faz esquecer que esqueci, faz lembrar o que me lembrava, faz recordar esquecimentos: a lua, o sereno, o escravo egípcio, a mulher feiticeira, a palavra que ninguém ouviu, nem quem a produziu; a audição recusada, a da índia aqui alhures no tempo, ouvindo o último lamento de nascimento de seu bebê queimando o vestígio de amor no coração do rei de Portugal, de Espanha, de um rei qualquer, de um rico qualquer, o coração de amor queimando ao queimar do bebê da índia, num dia indeterminado, o amor em cinza dos saqueadores de olhar, de ouvir, de falar, de brincar, de abraçar, de pensar, de amar, de inventar. o amor me engravidou de mundos, me outrou, me levou e me chamou de um nome que não me encontrou: não está, o luís, não esteve, não estará, pois o amor me reencarnou de marias, de pedros, de sebastianas, de floras e de faunas, quando amou a alma do verde do vermelho do negro do branco, nesses azuis, por aí.

19 comentários:

mari. disse...

O amor, sentimento difícil de descrever, talvez até mesmo indescritível. O único sentimento que é capaz de nos fazer sentir ao mesmo tempo vários sentimentos que quando encontrados juntos nós o chamamos de amor (?). Talvez aí esteja o grande mistério desse sentimento tão poderoso que nos faz capar de ignorar religiões e raças, deixar os preconceitos de lado. Por amor ficamos cegos e ao mesmo tempo passamos a enxergar melhor. Contradições? Sim. O amor é isso, não há uma explicação sequer para esse sentimento. O que fazemos é supor teorias para explicá-lo, mas homem nenhum na terra é capaz de explicar e entender as coisas que o amor nos faz fazer quando amando estamos.
Lindo texto Luís ;)
Beijos e um ótimo final de semana ;*

Janete Sousa disse...

Amei o texto! PERFEITO ;D

O amor é um sentimento sem definição e quando a gente começa a explicá-lo , entendê-lo , pára de AMAR VERDADEIRAMENTE.

bjos ;*

Gabriela Galvão disse...

Falar d amor eh p/ poucos...



Soh t tê-lo feito jah vale mt!

E conseguiu falar mt, hein?!


Abraço!!

Fabiana disse...

Uma observação poética a sua! haha
Obrigada :)

Bjs

arquiteliteraturas disse...

LE VENT DU VIN. AH, L'AMOUR...

"O amor é o deserto do ego, é habitado por seres mutantes, um amor-fêmea, [...] um amor-sem-nome, sem sobrenome, comum em sua singularidade".

Abraça-se sexualmente alguém sem que se abarque o romance familiar dessa pessoa? O que se sabe acerca do investimento libinal em certas pessoas ou coisas e não noutras?

Ora, dirão, o free arbítrio no sexo e na emoção é micrológico, e o poeta o sabe: paixões são irracionais.

Poesia e sexo se esburram de símbolos. O famigerado romance familiar indica que o sexo adulto é representação; enfim, é certa atuação ritual derivada de circunstâncias passadas. "É sempre no passado aquele orgasmo" (DRUMMOND). Daí o pouco provável existir de um erotismo plenamente humanitário.

O romance familiar, diria Camille Paglia, contém hostilidades e agressões na superfície abaulada do inconsciente banal. Crianças são monstros de desenfreado egoísmo e vontade porque vêm diretamente da Natureza as suas hostis sugestões de imoralidades (PAGLIA, 1994).

Ah, l'amour... Ainda bem que não o descreveste, poeta; tampouco o discutiste. Simplesmente te deslizaste (no bom sentido) sobre seus signos-paradoxais em hipotaxes e parataxes divertidíssimas.

Mas, hein (numa retórica mais jovem), pô, aê, seu texto é, tipoassim, bom pra caralho!!!

Parabéns para nós, os (temulentos) seus leitores. Sugerirei a Paizinho do Ibiraçu que o leia. É a cara dele (pelo menos a que ele oculta).

Valeu!!!

renata disse...

"[...]o amor não é dor, dor é amar a gente mesmo [...]"

Essa desarraigação egóica é dolorosa, mas ainda não é o amor. O amor é a terra rasa que sobra, fértil para a semete do outro...

Abraços
renata

Fleury disse...

"o amor me engravidou de mundos": bela imagem visual para se (in)definir o amor.
Amei o seu amor.
Bjs.

Jacinta disse...

E o amor me encantou no amor do universo por todos os seres que amam:gente-planta-bicho-agua-fogo-terra-ar.

Jacinta

Flavia disse...

O amor é tão grande, e estranho, e difícil, e por isso mesmo, tão bom!

mari. disse...

Luiiis o/
Como adoro tudo o que você escreve e responde nos meus comentarios to te passando um memê la no meu blog ta?
Quando responder me avisa que quero saber suas respostas =]
beijos ;**

Biaaahhh disse...

Caraca!!!!!Tudo seu eh muito profundo!!!!!!!!
Realmente...O amor eh muito complexo,ele destói e revigora ao mesmo tempo...O amor eh algo inexplicável...
Vem cá...Quantos anos vc tem hein???Eh pra saber se um dia eu tenho chances de escrever como vc...
Amei o texto com todas as letras!!!
=]

Carol disse...

Bem lindas suas palavras.
O amor toma conta da gente, ele faz as pernas ficarem bambas e bloqueia coisas que antes eram tão mais claras e objetivas.

Mas ele faz a gente crescer e aprender.
Beijos :)

Biaaahhh disse...

Tah bom luis...Mas vc ainda naum respondeu...Quantos anos vc tem hein???
=]

mari. disse...

Ai que susto! Pensei que as intenções da biah fossem outras xDD
Mas deixa. xD
E siiim, te tenho como referençia sim. Principalmente no modo em que expoe seus sentimentos escrevendo esses textos =]
Beijooos ;**

Biaaahhh disse...

40?????????Tem certeza???Puxa!!!Nunca imaginei de que alguém como VC leria o blog de alguém como eu!!!
Tipo:eu nunca imaginei q um cara d 40 anos(q deve ter muuuito o q fazer)ficaria lendo algo tão entediante como meu blog...
Obrigada por "me ler"
De verdade...
=]

Biaaahhh disse...

ESPERA!!!!Vc tem quarenta ou 80???

Biaaahhh disse...

paraaaaa
para de me provocaaaarrr
diiiiiiiz looooogo!!!!!!!!!!!!
=[!!!!!

atirandeletra disse...

Quase que mataram sua charada, hein: "tudo que você escreve é muito profundo". Aí está sua mais e melhor cobertura, já que o melhor cego de amor é aquele que não quer vê, só sentir,com todos os olhifícios abertos, pela linguagem, é claro, assim como também "arquiteliteraturas" faz com tanta pro-sa e eza!

(vou parar por aqui meu "ensaio sobre a cegueira", senão vira livro e a concorrência pode reclamar hshshshshshssss)

adynata disse...

Lindo!Invejo a musa desse amor que te pegou, Luís.
Beijo,
Ana