1 de dez de 2007

salvação

minha saúde é o desespero
de saber que a vida é agora
e que não tem outra hora,
além desta aqui lá fora

meu desespero é minha saúde
de ver tudo tão perto
mulheres, mulheres e mulheres
além de mulheres
no Matriarcado de Pindorama
e ter que conviver
com o princípio de realidade
a fome, a repressão, a autoridade
não e não e não
nesse turbocotidiano
de dínamos castrados
de tédio
de futurismos motorizados
de ódio
de design arrojados
das posses
de nosso ócio
de não realizar
o divórcio
do opressor
com o repressor
com o agressor
com o sucessor
agredido no grito
calado, ignorado
do oprimido
no reprimido
no ofendido
em todos os
trezentos e cinqüenta
eu sou trezentos
esquisitos
esquecidos
nos becos
dos pesadelos
dos ricos

meu desespero é meu mal
de viver com o normal
que sanguessuga
a energia de meu pau
através dessa incrível
solidariedade,
insuportável
fidelidade,
entre as mulheres
contra as mulheres
a favor de nomes
que distribuem fomes
nas bocas auditivas
desses olfatos tatuados
de visões degustativas
das bocas-meninas
prostituídas
idas e vindas
de abdômens
no mercado de
homens

meu desespero
este que aqui não escrevo
presente nessas ausências
de lonjuras
de aberturas
de formosuras
de loucuras
de solturas

é o furacão
(vulnerável
impossível
terrível
fatal
letal)
de minhas minas:
salvação

11 comentários:

Gabriela Galvão disse...

Luis, seu desespero eh o dos lúcidos... Pq o povo por aih eu acho q tah alucinado constantemente...

Mas a gente tem q contrariá-los, sim! E fingir q a gente eh mais doido q eles!!!!!!!!

Eu venho msm s/ vc convidar, eh q vc ñ posta cotidianamente.

Mas gosto mt dos convites e eles serão sempre aceitos!

Abração!

atirandeletra disse...

Salve-se da ação, salve Maria, salve João, ctrl+b: salva, salve-se do mundocão; sem próstata, só Adão, antes do falecido perdão!

atirandeletra disse...

Interessante esse negócio de postagem simultânea!!!

Fleury disse...

A saúde é o desespero; o desespero é a saúde; o silêncio que oprime, fala; estranha liberdade sarrada, surrada, sarrafaçada, currada, disfarçada: cativeiro sem salvação.
Eu (s)em ação.
Bjs,
Karina.

Jacinta disse...

"...saber que a vida é agora" e ter a sabedoria de viver intensamente, um dia de cada vez. Isso quero pra mim. Obrigada pelo carinho deixado no florescer. Apareço sempre por aqui. Voltarei

Jacinta Dantas

renata disse...

o desespero é a saúde...realmente.
vive-se como se a eternidade estivesse para todos, ao alcance das mão... também é incrivel como as amarras são fortes, principalmente quando atam o desejo e se alimentam da libido, do tesão, realmente nos esvaziam! ou tentam, pois sempre resta alguma coisa, pequenina, mas nela nos agarramos e seguimos...
Um forte abraço
re

Luna disse...

eu sofro do mal dos lúcidos;
de sonhar com o impossível!

lol

foi bom vim aqui, agradeço a visita
e o convite, me tornarei assídua daqui.
:)
ah amei o nome do blog.

flores um sorriso e um beijo.

Jacinta disse...

Dê uma passadinha no florescer e colha um presentinho que tem para você.

Jacinta Dantas

Fabiana disse...

A vida é agora, nem ontem, nem amanhã, nem daqui a pouco...

Muito obrigada pela visita!
Beijos

arquiteliteraturas disse...

"minha saúde é o desespero
de saber que a vida é agora
e que não tem outra hora,
além desta aqui lá fora" (LUÍS, 2007).

Nada vive gratuito nos percursos e permanências que experimentam os seres que se estendem "Do átomo — à estrela... do verme — à [floresta!..." (ALVES, 1876), no morrer de cada tarde.

Todo dia o sol levanta, e a gente lê de repente: "Lamenta-se a repentina partida, neste dia 09/12, do sr. Benízio Humberto Muniz. Deixa filhos e filhas, netos e netas".

Ou, como o viu Arnaldo Antunes, "Já passou".

Grato, Luís.

arquiteliteraturas disse...

Esse sr. Benízio Humberto Muniz, mano de meu pai, marido de dona Ducilnéia (não a de Toboso) a quem me referi no comentário anterior, será levado a sepultura hoje às 12h. Seu texto, veio bem a calhar para eu lhe prestar a ele essa muda homenagem, posto que possivelmente ninguém que o conheça a leu.

Vale o intento. Se um lírio florescer num deserto distante e homem algum o vir, mesmo assim assim ele terá existido para a glória daquele que o criou e o plantou ali.

Vale! Seu texto, Luís de la Mancha.