6 de jan de 2008

transdado estético.

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transdado estético
de margens, excesso de margens de centros: periferias, objetos
simbolicamente desauralizados, assim talvez se faz para escrita poética, assim se faz
constituição estética do anarquo-infinito-teodemonológico: modo de derrame de
pauta, de branco, de vazio, de cheio, como manga que borra, porra, como
beijo, pés em barro, como rio sem barranco, silêncio, como grito, estar
dentro e fora, como uma velha boceta em rasura, em usura, em usar, libidinal; como
mendigo em cama de casal, medieval; rua em tra
vesseiro, viaduto; como criança rabiscando, assinatura de agora em agora de viver; como
cidade sitiada pela ordem do bem vestido, do bem falante, do bem morado, do bem
humorado, da elegância, do regime do muito, do muito arregimentado, espelho de carro
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fechado no fechado sinal, vermelho sangue fora de corpo sem sangue de moleque pelado
ao lado do lado, desladando, sem dando, sem dado, como se, num lance de desdados, a
cidade, na rua, em algures, um menino e uma menina visse, cagando no passeio da serra
dos horizontes, achados, ocupados, a mosca, as cócoras, os carros, o limpo, o rico, o pobre,
quem caga, quem mija, quem peida, quem esconde, no esgoto, no fundo do rio, na lagoa da
pampulha, sua bosta? ; como
despoética poética sem economia, economia sem poética, poiesis de resto, resto de
sobras, sombras de quem não mais quer sendo para quem recome, luminosidade de fome;
como ritual de escrita, corpo no branco da tradição, ressurreição de dizer em

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escada; como degrau sem outros, escada horizontal, como amarelinha de jogo, como
chão, saltitos de pontaria, em lançar-se em erro e acerto de coração; como olho não
brilhante que mais brilha assim, não-sim de desejaria; como verdade de artifício,
via que desvia, desvio que leva a mundos, coisas, vidas, olhos, mentira de desnarcísio,
sem superego, ser coletivo e indivíduo, como universal com relativo, província de olhar,
de toque, de tesão, de tribo, cosmos onde cabem todos, cada não-cada é cosmos de todos;
como linha que se póscreve, aquém de além; como brasilidade triste em ou sem trabalho,
voz sem tom, sem signo, só referente, só coisa de querer: tênis, moda, olhar, carro, casa ,
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alegria de incluir-se, de desexcluir-se, carnaval sem apoteose, sem vídeo, simplicidade
difícil de virar-se, sem força tendo, desfazer de feito, de bem feito, bagunça, outra sintaxe,
de cabeça para baixo, como gravidade sem peso, terra que é bola, cabeça, poros, alma, de
não saber de embaixo, de encima, danae tecente em tempo dourado pelo nilo, pelo
amazonas,
pelo são francisco, pelo rio pomba, de aldeia, porque de banho, de pelado mergulho, de frio
em sexo, em bunda, caixa de papelão de afetos; como ninfomaníaca, a pretexto de ser
tratato
médico sobre sexualidade da tara mulheril, implode margens de ciência, umbigo de
sonho, objeto estético transestético, tem algo de antes e de depois: não existe


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estético segmentado, estético estético, porque assim será , incorrerá em erro de saber fazer,
de falar em nome de, mesmo de estético. estético de não saber fazer, de não falar em nome
de, em só através de, em revés. Assim, também Sertões, saindo da margem
positivista , tratado geográfico-antropológico e histórico do homem nordestino, se torna
escrita desdizente daquilo pelo qual queria ou pretendia falar, escapa-se de si,
de seu conselho editorial, num antônimo conselheiro, desaconselha a monarquia , a
república, o socialismo, os sistemas, e desentope a utopia de sua torpia, de seu lugar de
muro, bolso, de bolsa, de igreja lobal, do canal dominical, e desvela diferença:
perplexidade de vivente, condição de
translimites, de perpassar. jogo de fronteiras de saberes, escrita de corpo, corpo de
escritas, fala de verbo e de carbono, de outra coisa de não canto de poder, de lado de si de

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não ver mundo, e infinita possibilidade sendo: gesto, cor, sopro, escuro, luzidade,
vaga-lume, criança, choro, miséria, mortes, de translimites de limite de si, fechamento
entorno de defesa de privamentos, em lógica de apesar de. escrita que não seja pinto duro,
nem mole mas que seja corpo em corpo, em corpos, escrita de vida: grito, silêncio, pouco,
muito, nada, quase. Escrita desacreditada, sem crédito, mas escrita que fale e desperte
meios sorrisos, ironias, paixão, efusão de transescritas: olho que brilha, corpo que
desinquieta, gesto que desloca, pele que transpira, sem dente que ri, sexo que dá nada
que seja escolha limite: dinheiro, jeito-mito de ser saúde, roupa, riso, fala, carro, abraço,

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decodificação, presença, transcrita de sem família minha, sem religião grupal, sem
possuído , sem guardamentos
de coisas, de sombras, de luzes, de afetos, escrita que não se escreve, escrita na cripta pedra
vaginal de ser clitóris, de ser pau, de ser gozo ambíguo, nunca umbilical. escrita de
transescolha, sem presença estandarte, de ausência pequena, forte, assustadora, porque não
ainda, não já, não dentro, não fora, em todo lugar, infiltrada, como história sem narrador, s
sem narrado, sem persona, só agem: aragens de si. pobre despobreizado, infelicidade feliz,
desnutrição nutrida, rio arruda de peixes, analfabeto transitelectual, ambrosia em mão
que esqueceu de anteceder saciedade, olho que deseja, desejo, comendo, metendo, dando

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transindividuando, transdepossuando, transmordendo, tocando, gargalhando, encontrando,
mudando, vitalizando, solidariedadizando, desmatando a mim em desejo perto,
deslimitando não ver moral, normal, educacional, gramatical, instituindividual, vendo
transcorpos, infracorpos de transcorpos,
em
lúdico de não ser lúcido.

15 comentários:

arquiteliteraturas disse...

ESTOICISMO ESTÉTICO.

"estar dentro e fora, como uma velha boceta em rasura [...] escrita que não seja pinto duro,
nem mole [...]" (LUÍS, 2008).

Tal estoicismo também pode consistir em quereres como este:

Queria endurecer o cacete
pulverizar o passado
Tranformá-lo no que faço
quando emendo uma cópula:
pincelo, engrosso o pênis
e o uso como um vivificador de borrões.
Quisera suprimir todos os gramas,
sem imprimir vestígios de pensamentos obliterados.

Grade Luís de la Macha, de quem tenho o prazer de ser colega de lavoro nesses tripalii de férias januarianas!!! Feliz 2008. Muita poesia e muito gozo p'ra vc e p'r'os que estão nos arredores dos espetáculos de seu cotidiano.

Valeu, Camará, é o que lhe deseja este 40tão capricórnio-diecinueve-januariano.

Tarcila Vieira disse...

isso mesmooo!
rsrsrsr
bjaoo
n li o post todo
pressa
depois comento sobre...rs
;D

IsaBel disse...

Parece que não faltou nada aqui... Belo São Franscisco. E, escapa-me, como nordestina, dizer ou desdizer qualquer outra coisa.

Abraços.

Raquel disse...

Olá!!
Vim lhe fazer uma visita!!
http://sex-appeal.zip.net
http://cara-nova.zip.net
Beijos

Layla Lauar disse...

Poeta, vim agradecer e retribuir a visita. Estou encantada com tudo que li aqui, (mas vou voltar para ler os arquivos) e muito orgulhosa por sabê-lo mineiro, assim como eu. Sou uma colecionadora de Poetas e gostaria de adicioná-lo à minha coleção, permite que eu coloque seu link no meu blog? Ficaria muito honrada e feliz e teria meu caminho facilitado já que pretendo voltar várias vezes.

Um abraço e inté +

Altiere Dias disse...

oi.. valeu pela visita.... txt assaz psicodélico..heh tuduismo...

abç. Vou linka-lo.

Raquel disse...

Obrigada pela visita e por suas lindas palavras!
Uma ótima semana!!
Beijos
http://sex-appeal.zip.net
http://cara-nova.zip.net

Gabriela Galvão disse...

Brigada, Luis!

Am... Ai, às vzs vc eh d+ p/ a minha cabecinha. Eu entendo fragmentos...

Eu chego aih!

Abraço!

Edson Marques disse...

Teus poemas ins-piram!



Vontade de ler todos eles de novo, três ou quatro vezes...


Abraços, flores, estrelas..

atirandeletra disse...

olha esse gerundismo (8), depois tá que nem o povo da arquiteliteraturas: transdando por aí, não podem ver um estoiquinho estético!

Gabriela Galvão disse...

C v, Luis, aff...

huahuahuahuahuahuah

Abração!

Edson Marques disse...

Luis

Teus textos têm a luzidade do vaga-lume!

Brilham, intermitentes...

Obrigado pelos comentários no blog Mude. Ajudam-me a escancarar minhas portas.

Abraços, flores, estrelas!

atirandeletra disse...

Luís, estive aqui Eustaquiando sobre o que você chama de elitismo lingüístico, mas quando lembro das mensagens de telemarkenting: "Senhor, vamos estar resolvendo, enviando, promovendo... ludibriando!", penso então que o buraco seja um pouco mais embaixo (embora desde latifúndio eu também goste)!
Quanto às redações, menino, dô conta não, trabalhei feito burro ano passado, precisava de um descanso, ainda mais agora em duas instituições e já no dia 20 começam as reuniões discentes, pode?

® disse...

Vc é um poeta meu amigo, sempre admirei quem sabe escrever, e bem.

Cheiros

arquiteliteraturas disse...

"[...] depois tá que nem o povo da arquiteliteraturas: transdando por aí, não podem ver um estoiquinho estético" (GAZA, 2008)

Grande Gaza, crítico leitor luisiano e cidadão samba dos blocos e das mica [gueis]. Grundismo anda em moda no registro oral, mas moda é foda, ou moda de ru é cola (ô).

Vale a polêmica, Louis!!!