10 de fev de 2008

xoxota

No olhar-olho de suas digitais,
ao acaso,
na nuvem de chão de poros, o som de sua pele,
intuo
Em bílis-banho de um pensamento, o gesto de palavra alada,
o oxigênio de seus passos leves, levitantes, no instante,
sorvo
a informe forma ventilada de sua nuvem,
em céu,
a delicadeza fulminante do instante de seu tato,
em ato,
tateando o último-primeiro relance inteiro de seu cheiro
o sonho de suas mãos de enleio,
incendeio
o afeto de sua soltura de afetos
na ação musical de sua dança de pinturas
o erro fúlgido de seu acerto
risco
o cisco de espectro colorido, de luz espectral, sua pupila de sangue,
a artéria--vicinal do invisível visível de sua alegria alegre,
banqueteio
os cabelos crespos de seus lábios,
anarquofelizes, com o fim de todo fim,
e o nascimento de todo renascimento,
o agora oblíquo de sua voz,
vivo
a umidade palpatória do pulso de nosso impulso,

Não conheço não,
só simplesmente só
afago ausente presença
aragem viagem ramagem
penugem do ar
ar de seu olhar
voando no espinho,
a flor
brinca com a dor,
o calor
o amor.
e o clamor
de um buraco-negro de noite solar
no rio de seu cio e no bico do mio de seu seio
o pio da coruja de agouro
no ouro de uma manhã
os raios púbicos da dissonância,
sua xoxota,

sou Orfeu e canto no inferno.

20 comentários:

Jorge Elias disse...

Junto-me, Orfeu,
nessa elegia à beleza.


Abraços,

JEN

Patricia Cruzat Rojas disse...

Hola Luis, no entiendo tu idioma, te agradezco la visita a mi blog,y tus palabras tan lindas a mi puntura, amo la poesía!!!!
un abrazo
Paty. Difusa

arquiteliteraturas disse...

XOTOXA

Será que a representação de uma coisa consiste num investimento, se não de imagens mnésicas diretas desse referente, pelo menos de traços mnésicos mais afastados, derivados desse obeto obscuro do desejo? A representação de palavra seria introduzida numa construção que associa a verbalização e a tomada de consciência? Isso é só pra lembrar Freud e xonga da escritura, de Derrida.

Falar nisso, ao poema! Uma poesia que em suas palavras-versos, numa estrofe única, criasse efeitos de estranheza, corroborando a tentativa de revestir a palavra, de simbolizá-la, de figurá-la espelharia essa coisa na mão ou a mão nessa coisa?

Pô, XOXATO? Phode ser, mas me amarrei no poema.

Vale, Louis de la Mancha.

solo mi version.... disse...

Un besho y que tengas una linda semana...

Layla Lauar disse...

Poeta, incrível e original o seu poema, mas não sei como comentá-lo, teria que ser poeta também. Então só digo que gostei por demais. Diferente de tudo que já li até agora. Belíssimo.

Um grande abraço.

gaivota disse...

xoxota, poema lindo...
é de ler e reler
é para se "mastigar",
como aquele vinho que se bebe mastigando de tão bom que é!
beijinho

São disse...

...e descobri mais um poeta!!
Feliz semana.

osrevni disse...

Luis, esse poema é tão poderoso quanto seu sujeito!

Milady disse...

Bela poesia!

Beijos

Juliana Caribé disse...

Vibrante!

Nika disse...

creo que se conjugan cálidas emociones de luz blanca con la lava ardiente que se desborda del volcán.

saludos

Rui Caetano disse...

Um hino ao encanto das palavras, sim é, na verdade, um autêntico Orfeu. Uma boa semana.

... disse...

Há poemas que nos fazem pedir:
"Pára!", como se não fôssemos dar conta de tudo que ele provoca. A beleza violenta a gente, às vezes. Seus versos acabam de me violentar.

Obrigada, luís!

Abraços,

Nayara Lima

Dauri Batisti disse...

Isso de falar da mulher - tema tão recorrente - sempre rende coisa bonita.

Raquel disse...

Uma linda exaltação, adorei!!
Beijos
http://sex-appeal.zip.net
http://cara-nova.zip.net

Dauri Batisti disse...

Passei por aqui de novo para ver se você ja tinha atualizado a página.

Gabriela Galvão disse...

A elegância da poesia e a simplicidade do título "casaram" estranhamente bem.


Abração, Luis!!!

Jacinta disse...

Você percorre com maestria o complexo mosaico feminino. Sem dúvida, uma tradução, em palavras, de exautação ao belo.
Um abraço
Jacinta

Jana disse...

Interessante,mas me falta jeito para comenta-lo...

beijos

... disse...

Seu comentário foi outro poema, por isso vim de novo comentar, querido Luís.

Mais uma vez, lindas as suas palavras.

Mais uma vez, obrigada.


Abraços,

Nayara Lima