30 de mar de 2008

girassóis

gira nos sóis
da lua cheia
os lençóis
de seu abraço
de nudez
de cheiros,
de boca
de lábios
de digitais de encontros
da assinatura de seu segredo
de cabelos
de maquilagem
de perfume
de umidade vaginal
do mesmo outro sumo
de sua língua
a vulva de sua uva
é vinho de musa
que me abusa
de lamber
de sua fala
de seu olhar
de sua bunda
de sua rotunda
vontade de retumbar
os tambores
de seu pulso
de seu impulso
de seu fluxo
de seu refluxo
de vento
que uiva
o impossível
o silvo
do inverossímil
no sangue
de sua incrível
milagrosa
e
pecaminosa
presença
religiosa
de populismo
de fundamentalismo
de terrorismo
porque amar você
é entender os motivos dos ismos
do ímã de todo grito
da força de todo agito
da luta em todo rito
da agonia dos aflitos
esses que,
no desespero
e
na lascívia
são o espírito
a vagar
divagando
no despenhadeiro
cantando
de outros
canteiros
adubando
ninhos
de bandos
nos recantos
de todos os
encantos
de sementes
dos óvulos
de semens
tão aqui,
no encontro
dessas viagens
de nossas paragens
postagens
sondagens
de selos
de tê-los
os apertos
de nossas
sacanagens
perto
parto
farto
da fome
da dor
do desamparo
do genocídio
da posse
de pobres
asiáticos
latinos
negros
mulheres
gays
e
de índios
e
de libertários
princípios
no precipício
do veneno
da revolta
do ódio
a tudo que é divórcio
do individual
com o coletivo
do local
com o global
do cultural
com o natural
do imanente
com o transcendente
de nós
com o retrós
veloz
do mágico de oz
da chave
da porta
da horta
da torta
repartida
da vinda/inda
de nossa
metida:
tida
como
linda

27 comentários:

Iosif Landau disse...

girassol, se move procura o sol,
Van Gogh pegou sua cor
a imortalizou como um louco que foi
e te alucinou te incendiou te empurrou pro abismo da poesia do louco amarelo, não precisa cortar a orelha, beba o vinho da tua musa

Raíssa Cardoso disse...

Oi, pai, fiz algumas modificações que vc me disse.
Passa lá, e dá uma olhadinha.
Beijinhos,
Raíssa.

Alice disse...

Os girassóis são divinos, não? A sua poesia é uma viagem culta cheia de palavras - um mundo repleto delas. Repleto de tudo que nos é tão necessário. Não me atrevo a me aprofundar em críticas literárias, mas digo que vi, num leitura rápida, assim como o ato, assim como ópera, sadismo e romantismo juntos sem medo ou receio do confronto.
Como sempre, seus textos me fazem admiradora de seu trabalho.

Um abraço

Letícia

E sobre suas visitas, é sempre uma honra. Meus textos ora são panteístas, ora marginais. Mas são escritos sem pretensões divinas. Sou mortal e amo aquilo que me faz viva.

Até breve.

Eurico disse...

Telegráfico, aliter/ativo, sinestésico,
teu poema
persegue a musa
da vulva,
cheirosa
de uva...
Lembrou-me uma demoiselle cubista,
nesses fragmentos que formam o mosaicode uma fêmea, sedutora e selvagem.
Parabéns!
Abraçamigo e
grato pela visita.

Ana Laura disse...

Oi bardo, já estava sentindo falta de suas visitas.

A sonoridade do seu poema é uma coisa impressionante. Muito bem arquitetado, adorei!

Outros

São disse...

Sabe que a maior parte de meus poemas é também escrita assim?!
Gostei imenso.
Abraço.

Dauri Batisti disse...

De fato a sonoridade é uma coisa a se destacar no seus poemas. Uma habilidade e tanto para isso você tem. Parabéns.

Alice disse...

E eis que volto aos seus girassóis para ler de novo essa novidade que você faz ao escrever. Aceito suas críticas - são líricas e me fazem sentir que escrevo para leitores reais. Você tem visões que admiro e também, não apenas por falar, já está em minha lista de favoritos. Poetas como você me fazem ter uma incrível vontade de escrever sempre.

Agradeço sempre a sua visita.
Bjs...
Letícia

Luci disse...

Estou sem fôlego, com os pensamentos embaralhados. Preciso me recmpor depois dessa viagem destrilhada de palavras soltas-presas nessa poesia tocada.

Bjo,

Luci:)))

Ana Paula disse...

Perdi o fôlego...
e a compostura!

Ilaine disse...

Oi, Luis!

Impressionante o que você inventa com as palavras. Elas rodopiam aos meus olhos e cantam aos meus ouvidos. Um belo poema.Parabéns!

Obrigada por passar "lá em casa", foi bom te ver.

Abraço

osrevni disse...

Salve, Luis! Lindos versos, rápidos como a respiração de quem está sem fôlego, embasbacado pelo mundo!

Vieira Calado disse...

Gosto disto!
Às vezes também o pratico.
Um abraço

Jorge Elias disse...

Vim ouvir e ver as imagens sonoras de seus poemas.
Parabéns pelo livro.
Estarei lançando o meu também na Aliança Francesa, possivelmente no dia 25 de abril (19hs).
Vou deixar um convite no meu blog.

Abraços,

Jorge Elias

Luma disse...

Gostei do movimento da sua poesia!

Luis, não consigo falar em guerra no Tibet. Guerra é quando as duas partes consentem, é o caso do Iraque. Não basta ter o opressor e o oprimido, daí que entra a "comunidade mundial" que tanto te preocupou. Podemos conversar sobre isso. Beijus

Gabriela Galvão disse...

Caro Luiz, postei sobre o segundo dia internacional d plantar girassóis acho q neste msm dia, c viu?! Ñ se exatamente, mas enfim, as sincronias...

Hj dei dica d dois sites q gente q gosta d ler e gente q gosta d escrever deve gostar, depois confere lah, talvz t sirva.


Bj!

Gabriela Galvão disse...

Luis c/ s!!! C/ z eh o meu pai!!!!!

Jacinta disse...

Caramba!
esse poema cheio de curvas, vai se desnudando e fazem meus sentidos todos, inclusive o sexto, a acompanhar o movimento e a melodia que vêm de seus versos, de uma, de duas, de três... palavras, que falam por si e se complemetam em todas.
E fico sem fôlego também para comentar.
Um abraço
Jacinta

Lyra disse...

Que prazer que dás aos meus sentidos quando te leio!

Beijinhos e até breve

;O)

Alice disse...

Luis,

Li que vc vai lançar outro livro. Como não moro na "mesma terra" que vc, como faço pra comprar essa grande obra? Vi que será na sede da Adufe. Tem ligação com todas as universidades? Se tiver, me avisa. Gostaria demais de ler seu livro.

Bjs e pode me chamar de amiga sim.

Até breve.

E toda a sorte com o novo livro. Se fosse no teatro, eu diria "Break your leg". :)

Letícia Palmeira

... disse...

Querido, querido...

sempre rodopio por aqui, quando te leio. Sempre.


Recebi seu recado de preocupação. Te mandei resposta em email. Recebeu? Enfim, como você queria, há novidades pela minha página

Grande abraço de

Nayara Lima

Paulo Vilmar disse...

Luiz!
Me senti naqueles trens antigos, em viagem pelas madrugadas! Faltava fôlego! Líndíssimo.
Abraços!

Priscila Lopes disse...

Tem ritmo. Embala e nos conduz até o desfecho. Admirável!

volte sempre ao Cinco Espinhos ;)

Milady disse...

ui... que girassóis, hein?!

beijos

Germano V. Xavier disse...

Porque amar ainda é a faca que dilacera e esquarteja o corpo doído e, na separação, frita a gordura da vida e nos mata a fome...


Sempre por aqui, mestre!

Um grande abraço...

Germano
Aparece...

arquiteliteraturas disse...

PALAVRAS-CHAVES

"[...]
da porta
da horta
da torta
repartida
da vinda/inda
de nossa
metida:
tida
como
linda" (LUÍS, 2008). Tais palavras-chaves penetram a noite, abrem as comportas dos sonhos e libertam os ocos do desejo. Me amarrei no poema, Le Padre.

Raquel disse...

Uma viagem aluncinada com essa poesia!
Linda!!
Beijos
http://sex-appeal.zip.net