17 de jun de 2009

ode triunfal

para o meu queridíssimo marcelo mozer, força vital


pelotãoooooooooooooooo!
atençãoooooooooooooooo!
apostos , impostos, postos, repostos
à direitaaaaaaaaaa,
volverrrrrr!
vão verrrrrrrr:
vão interromperrrrrr
a galáctica expansão do mão a mão
em amorosa rebelião
em revolucionária ampliação
pilotãooooooooooooo
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaavante!
pum pum pum pum
apontarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
à esquerda,
do pensamento
apontarrrrrrrrrrrr:
à esquerda,
do social questionamento
apontarrrrrrrr:
à esquerda,
do mortal transcendental entrelaçamento
de oprimidos a oprimidos
desoprimindo-se
dos horrores dos opressores!
apontarrrrrrrrrrrrrr:
à esquerda,
do indignado grito de revolucionários atores
apontarrrrrrrrrrrrr:
pra tudo que não seja
adaptada arrogante humilhação,
ao transe religioso ao deus mercadoria
em sub-missão
apontarrrrrrrrrrrrrr:
pra tudo que não seja
o centro tranqüilo da desgraça:
a voz macia de ana maria braga
o flash no chame-charme da moralista praga
do sóbrio casal sombrio do jornal nacional:
fátima bernardes e william bonner
apontarrrrrrrrrr:
pra tudo que não seja
boris casoy
e sua indignada retardada impostura
pra tudo que não seja
Jô soares
e sua poliglota bem-humorada narcísica inteligência tísica
pra tudo que não seja
pedro bial
e seu big brother brasil de classe mediano funil
mercantil jovialidade espontaneamente servil
apontarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr:
pra tudo que não seja
riso de histérico siso cisto cisco sem risco
no graciiiiinhaaaaaaaa!
retardo de tardo ardis
de hebe camargo e seus oportunistas convidados,
adultamente
inteligentemente
adaptadamente
irmanados
infantis

fogooooooooooooooooooooooooooooooooo amigoooo!
fogoooooooooooo de notícias farsantes
fogoooooooooo de imagens recalcitrantes
fogooooooooooo de narrativas hipocritamente emocionantes
fogooooooooo de bons comportamentos moralizantes

pelotão de entediados consumidores
pelotão, avante
pum, pum, pum, pum
de profissionais competentes,
na reprodução de indolentes,
pelotão de médicos, apontar.......................................................
acendei a prece das vacinas e das toxinas
vaia a doença, promovam-na hipocritamente aonde forem
viva a doença que é o que sustenta a empáfia médica
viva os neuróticos
viva os neurastênicos
vaia que os hipocondríacos devem ocupar o primeiro último lugar da fila,
mas não digam, nunca, que são os escolhidos.........................................

viva viva veja oia
o fascismo, em revista,
da veja revista de mafiosos denuncismos
vivaaaaaaaaaaaaaaa!
viva o aneurisma demoradamente fatal
a via das veias vaias rompidas interrompidas
viva que a morte cerebral é tecnologicamente cara!
dinheiro, dinheiro , dinheiro,
vão verrrrrr!
Vão terrrrrrr”
Avanteeeee”
tradição
família
e propriedade
essa santíssima onipresente trindade
viva a gastrite educativa
o vômito cosmológico do esôfago rompido
pelotão avante,
pum pum pum,
apontar, ao paredão ,
fogo amigo................
viva a educação,
viva viva viva
que adora
idiotas
puxa-sacos
especial especialistas
em reveladas verdades juristas
são os gênios da raça:
os rigorosos pesquisadores protegidos pelos saberes de laicos oratórios
promovidos a postos
postos e repostos nos escalões dos canhões de notas 10
viva viva viva,
volverrrrrr
vão lerrrrrrr!
os melhores poetas do eixo rio são Paulo
viva viva via que envia o sistema de parentela dos mananciais imagéticos dos iguais!
Igrejas de poetas no altar-mor do oitava caderno do jornal de circulação nacional
que não Mais ouso dizer o nome
viva viva via
a prosódia impecável
viva que vaia que viva que vai a vaia do vivaz gênio das humanidades
pelotãooooooooooo
apontarrrrrrrrrrrrrr
fogoooooooooooooo
de balas de mentiras
de bombas de hipocrisia
de mortífero gases de intriga
fogo contra tudo que seja
humano
demasiadamente humano
simples
e plural
complexo de amplexos
preto no branco
arroz e feijão
apaixonado sexo de nexos
luta vital

12 comentários:

Eurico disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eurico disse...

Eis um vate da voz flamígena, a desocultar o que a mídia kitsch, esconde da nação brasileira!

Abraçamigo e solidário.

Coral disse...

Pois é, eu repassei para os meus contatos a "carta aberta pela não renovação da rede globo de televisão" e me mandaram fogo!

Há marketeiros e marketeiros. Salvador Dali era marketeiro mas pelo menos tinha talento! Mas não consigo ver talento em Andy Warhol.

Agradeço o oferecimento de empréstimo, mas já vou avisando que sou bem lerda pra ler e prefiro terminar História da loucura, do Foucault, antes de começar o Derrida.

Abraço.

Coral disse...

Tem que ter lido Platão pra ler "Farmácia de Platão"?

O que você acha de Onfray?

Coral disse...

Eu de novo: Pode ser que, sub-repticiamente - ou mesmo escrachadamente - estejam tentando, com este selo, exercer poder no nosso "submundo dos blogues", instaurar o "big brother dos blogues", ou seja, criar qualquer coisa massificadora ou uniformizadora. Então, é no intuito de me ajudar a desvendar esse enigma que lhe ofereço esse selo suspeito, que compreenderei perfeitamente se recusar. O selo é inofensivo e eu sou "conspiratória" (como "conspiratório" seria chamado por defensores do neoliberalismo selvagem quem escreveu uma carta contra a Globo) ou há mesmo razão para ficar com um pé atrás?

Yvy disse...

Nooooooooooossa Luis,demoraste muito e teu retorno esta assim, assado...

"apontarrrrrrrrrrrrrr
fogoooooooooooooo
de balas de mentiras
de bombas de hipocrisia
de mortífero gases de intriga
fogo contra tudo que seja
humano
demasiadamente humano
simples
e plural"

Bjs!
Eu

Ilaine disse...

Amigo!

Como uma batida de um tambor tuas palavras soam aos meus ouvidos. Este texto é um bater muito forte, um retumbar, um desabafo: o toque nas feridas e nas verdades. Ode triunfal!

Abraço

Germano Xavier disse...

Em heróicos sentidos, o verso seco que diz.

Grande abraço, professor.
Sigamos...

fabiano Silmes disse...

Viceral!!Um poema perfeito para ser declamado em um recital!!!

Abraços!

Canto da Boca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canto da Boca disse...

Estou numa das minhas navegaçoes, dessa vez o destino escolhido foi a África, assim que volte, volto e entao sentirei a poesia.
Beijo.

arquiteliteraturas disse...

Cá escreveste "com" Mozzer, o maior catramelo dos campi. E quando ele leu esse poema em viva voz no Cochicho da Lama, pensei, por instantante, durante os versos iniciais, que ele fosse o autor.

Ah, mas para falar com estes versos de Álvaro de Campos "em Pessoa",

[...]
"Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oitos anos – e eu acho isso belo e amo-o! –
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.
A gentalha que anda por andaimes de que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosa gente humana que vive como cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,

Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida".

... Tinha de ser mesmo Le Padre. Valeu, Eustáquio! Vale sempre, se... e de pequeno, Mozzer nada tem, né?

Abraços...

A propósito de escritas, concluí meu PG2 (TFG) em Arquitetura e Urbanismo. Formo-me neste semestre.