2 de ago de 2009

UTOPIA

entoar: amar quixotescas armaduras, de cavalharescas andaduras, de ondas de lábios ávidos de mar, celas cósmicas, de lânguidas mangas éticas, pitangas de árvores de flores de copas, de frondes continentais de amores, sem ilhas de tédios de horrores, ou gols de tiros de mortes, de chutar chuvas de balas de alas, de narcísicos consumos de humos, doces idólatras idiotas, a chupar, a saliva de acusar, pra roubar e pra matar, quando o que é torta, quando a porta da janela que importa, é a de criar o atar as traves aves de retângulo de céus de paraísos de relâmpagos, de infernais mananciais, de invernais verões de rebeliões, por comemorar a cerimônia de vôos de chamas de larvas, de celestiais terrenais viscerais, a festejar pilhas de elétricas usinas, de vitais vitrais campos, sem rivais, a coletivizar os subterrâneos lençóis de águas de sóis, de sedes de redes de girassóis, abertos horizontes cobertos por suores de louvores, nos corpos a corpos, brindes de convites, a desarmar as armas de humilhar, pra mais livre ficar, no fincar murmúrios de lírios de nascer, no entretecer delírios de rios, a florecer, diachos de riachos, com barulhos de futuras frutas, de intensas densidades de idades, nos volumes de tapumes, de espelhos de vaga-lumes de lumes, nos templos que contemplam os surdos barulhos, sem muros e sem murros, que inventam a brisa que estremece a ampla tela de água de cardumes de peixes, nos feixes de amazônicos iônicos pulmões carbônicos, de não sei se sou feliz e nem se desejo sê-lo, no selo seio de enleio de lagos de incandescentes veios candentes, de veias de estrelas de sortes nortes, que o lado alado do lago estremece, os juntos de conjunto conjuros indecentes, nas embocaduras de encruzilhadass de encontros, os hinos de festas que infestam os banquetes de espectros de arco-íris de luzes, de viris siris, de mangues de verniz primaveris, nas lamas de almas de alegrias, as gargalhadas de palhaçadas, içadas por eiras beiras ribeiras de margens terceiras, nas viagens sondagens de bandeiras de inteiras esteiras, de ventos de pensamentos, de contentamentos rebeldes, por participar da história da vitória régia de plebeus, que, embora conheçam os possessivos nomes de pronomes, de seus, teus e meus, preferem o simples sim sem fim, de, nos iludamos, nus, nos inundemos, e inundamos, de humanos e inumanos, de depois, no agora do antes, de bravos laços de remansos, a brincar de nadar, de afogar gansos, na praça pública, de púbicos romances, dados de acasos de casos, de novos velhos lances, sem chocos agouros, de gourados ovos de ocasos, mesmo que dourados, porque o ouro não é o único metal que reluz, tal é a meta, em igualdade, que nos seduz,fora de todo dentro, que reduz, porque é nos amanheceres, que existem nos entardeceres e nos anoiteceres, que a luz libera irradiações de fótons de ações, audazes de vibrações capazes de, sabendo que a ignorância define todo obsceno poder, por compor sua própria imprópria cena, sobre e sob o cenário de cantos de canários, sabendo que é a ignorância que define os EUA, que define o congresso americano, que define suas forças armadas, que define sua cultura, seus meios de comunicação, sua totêmica liberal presença individual subjetividade de vãs burras burlas de vaidades, farsescamente plásticas identidades,de plástico,legião de ignorar, sabendo que é a ignorância que se impõe sobre a distância, vista de paisagens, nos olhos da infame perdida planetária infância, bombardeando realizações de imaginações, faremos o tecer de outro acontecer, quando formos a vigência da inteligência, entôo de vôos, ângulo de alimentado estômago, nos pés de samba, no âmago do tango do cuidado, com a potência do jazz na salsa do merengue do cha cha cha do mambo do rip hop do reggaeton do bolero, na dança do vir-a-ser

11 comentários:

Coral disse...

Na minha vida de Macabéa plebeia ainda não comemorei a vitória régia de ler "Humano, demasiadamente humano" pra saber o que é o humano segundo Nietzsche. Talvez eu seja subumana, embora eu ainda não saiba se isso é bom ou ruim. (e o que é "bom" e o que é "ruim"? qual é o referencial? ser suíno é pior que ser humano? - o tratamento dado a um e outro é quase o mesmo!). De toda forma, sendo eu humana ou não, não quero submeter ninguém: submeter parece coisa de ditadores...

Talvez, dada a minha ignorância, eu não devesse me atrever a lidar com as palavras: por exemplo, eu não sabia o que Adorno tinha dito sobre o contrassenso. Vivendo e aprendendo, é o que diz o (às vezes sensato) senso comum.

Eurico disse...

Mais uma implosão poética, dessas que nos levam a pensar e repensar as nossas atitudes diante da vida.

Abraço fraterno.

Mai disse...

E nos devires, o fluxo das coisas,o ir sendo ir, vou indo, vamos indo, caminhando, seguindo e é a utopia que nos faz seguir... E a cada dois passos à frente a distância aumenta mais dois passos mas seguiremos, passo-a-passo...
Que nos deixemos levar e que consigamos abandonar coisas, e ir deixando coisas... Uma coisa noutra coisa e no coração das coisas, o meio de tudo.

Beijos, amigo.
Saudades de ti.

Ilaine disse...

Finalmente... Estava com saudades!

Utopia! Um fio que nos conduz por um mundo de palavras tuas, com as quais nos brindas com imagens e reflexões profundas: uma meditação. Excelente!

Abraço, com carinho

Coral disse...

derridareemos então!

Coral disse...
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Coral disse...
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Germano Xavier disse...

Este espetáculo verbal típico desta casa a cada novo reencontro me estufa um laivo de superação. Mudei de casa, professor, e agora não te perco mais de vista.

Abraço forte.
Continuemos...

YBrussel disse...

Luís, que saudade ! Já sabes me perco no teus dizeres maaaaaaaas
amo lê-los.Numa fè profunda de tanto ler,reler,eteceteras.Que sabe um dia...entendo :)

Bjs de mim

Dora disse...

Nossa, Luis! Vamos entoar cada ramificação da existência que nossos valores escolhem...
Desejamos as "armaduras quixotescas", já na abertura do leque, e aí quase dizemos todo o resto.
Queremos ética e amores, repudiamos a violência e a degradação do planeta, a corrupção e o consumismo em todos os níveis.
Louvamos a liberdade, o riso, a poesia, a nossa fauna, a nossa indecisão ante "ser ou não ser feliz", a conquista da imaginação.
Saudamos a igualdade entre os homens, a cessação da fome orgânica.
Tudo isso nas danças universais, na exaltação do que aguarda o futuro, na "dança do vir-a-ser".
As palavras se deram as mãos, pelos sentidos, ou pelos sons dos fonemas, e foram ampliando as significações, que ora interpretamos, cada um de nós, com nossa diferencida bagagem de vida.
Aplausos.
Abraços.
Dora

Luis Eustáquio Soares disse...

dora, estamos com nossas potências adormecidas, você bem sabe, sente e, visionariamente, inscreve, escreve, nas linhas e entrelinhas de suas letras garatujas, inscreve e escreve os caminhos, os outros caminhos, os caminhos outros, que devemos perseguir, juntos e conjuntos. podemos começar?
beijos
luis de la mancha