22 de jan de 2010

modelo de sucesso

devolvamos
o pior que as instituições
estimulam e
fabricam e
cultivam e
produzem e
reproduzem e
de graça:
patrões, chefes, militares, padres, aristocracias ,
quadros intelectuais,
mulheres anoréxicas
devolvamos pro lixo da história
o lixo da pré-história
que persiste
subjugando
com mortal vitória
são, devolvamos,
antes que a vida se extinga
e, na catinga da vã glória,
se finda
devolvamos
pro limbo das olimpíadas do Olímpio
os bisnetos, netos, filhos, pais, avós e bisavós
do estado de trégua:
a viver em redoma
com tubos de oxigênios
pro amor
e mais tubos de oxigênios
pra amizade
e mais tubos de oxigênio
pra realidade
pra tudo afinal
tubos de oxigênio
pra eternidade transcendental
devolvamos ao céu profundo
e porque não suportam os ares do mundo
freqüentam sempre o continente ilhal
igual à passarela de desfile de ponte aérea internacional
com seus ambientes sofisticados
assépticos, dizem
é lindo
é normal
eis aí a encarnação parasitária da mais-valia geral
devolvamo-las
ao mundo das idéias
celestial

eis aí os agenciadores
da guerra contra os mundos
os angélicos marcianos dos séculos
dos séculos
séquitos do fascismo bestial
encarnados em todos nós?
os invasores implacáveis
do presente
as autoconfiantes
oligarquias desafiantes
das americanas presenças constantes
com seus tubos de oxigênio eletrônicos
são os recrutas auto-publicitários de almas inconstantes
a lançarem bombas de auto-propaganda e de auto-engano
através dessa bomba de nêutrons: a televisão
pois sabem que a verdade é uma mentira
vinda do tubo de ressonância da caixa de oxigênio da casa branca
pois sabem que a beleza é um perfume de merda
espalhado no corpo anoréxico das modelos multinacionais
pois sabem que a moralidade é uma praga
porque é a moral da maioria que compra a mentira da casa branca
e o perfume de merda da beleza anoréxica dos bombados perfumes
de efeitos monolaterais
das modelos nas bombas de oxigênio
artificiais
{duvido que algum homem do mundo
que não viva em ilhas de fantasia
de verdadeiras belas mentiras
bestiais
duvido que algum homem do mundo
tenha, algum dia,
batido punheta
pra anoréxicas modelos globais}
são bombas de oxigênio femininos
de ódio às verdadeiras mulheres do mundo
são cafés sem cafeínas
degustadas por terroristas de congelados sorrisos
faciais
bombas de inexistentes mulheres
de lábaros labiais lábias monumentais
são bombadas bombas mentirosamente fundamentais
são caixas de propaganda de fundamentalismos de infantilismos
de gerânios plutônios de brancos fósforos de cânceres geracionais
{recentemente uma pesada anoréxica modelo de caixa de propaganda dos americanos, de seu exército, de sua humanitária força, lançada de um avião britânico, caiu sobre a cabeça de uma criança afegana, e a matou. Do lado da criança morta pelo peso espiritual de desprezo ao vivo mundo, tinha uma foto de uma modelo, bomba sensacional}
viva a anoréxica publicidade do American way of life
viva o racismo ao mundo
o racismo a tudo que é deste mundo
sem platônicas idéias cruciais
viva o prêmio Nobel ao bombardeio humanitário
viva o golpe democrático
viva o imperialismo genocida
viva o ódio ao mundo
à singela vida

14 comentários:

Dauri Batisti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dauri Batisti disse...

Teu grito, tua rebeldia, tua sina decidem este estlo que te foge, que te faz, que nos apraz... escreva, escreva. Resistir é um modo de viver. Vou nos meus passos, dobro a esquina, sigo...

Um forte abraço.

Dauri Batisti disse...

Luis,
acho que vc cometeu um engano, publicou no meu blog uma mensagem para uma tal de Mirtis...rsrs

Abração, amigo

paula barros disse...

Luiz, retribuindo a visita. Me impressionou sua visita, a "coincidência", ontem a noite estive em seu blog, e não comentei, nem li, estava cansada. Vi seu comentário em algum blog (não lembro agora) e vim aqui.
Hoje, ao acordar, estava você no meu...navegando rios de palavras...

O seu poema me fez lembrar que tanta evolução tecnológia e o homem continua alienado e se alienando. Cada dia se protesta menos, embora se reclame mais, se adoeça mais, se angustie mais...cada dia temos amor de menos por nós mesmo e pelo outro...

abraço

Lendo o comentário de Dauri lembrei, foi no blog dele que vi seu nome.

Vivian disse...

...não somos nós que dizemos
as palavras.
são elas que nos dizem.

e você, ah você Luis,
deixa aqui neste post o grito
de todos nós meros reféns de
um mundo aprendiz.

um mundo onde raros modelos
podem e devem ser copiados.
a sua lúcida visão, por exemplo,
é uma delas.

é uma honra enorme recebê-lo
lá em casa.

seja sempre bem vindo!

bjs procê!

Opuntia disse...

Este sistema está em coma! Nossos tubos de oxigênio estão poluídos, em todos os sentidos.

Desnuda disse...

Luis,

escrever para não ser asfixiado pela realidade tóxica. Faça das palavras o seu oxigênio, um escapismo deste quadro desnumano e brutal. Uns já adormeceram e outros, como você, procuram incessantemente acordar os que dormem entorpecidos pelos efeitos alucinóginos da ilusão. Continue.

Obrigada pela visita no Desnuda e a lucidez do seu comentário.


Carinhoso beijo.

São disse...

Adorei, mesmo!

Boa semana.

poetaeusou . . . disse...

*
viva a ti, amigo,
(ao Obama e aos batalhões dos
"Alimões" e seus canhões,
do amigo Chico Buarque)
,
um abraço,
,
*

Desnuda disse...

Luis,

obrigada pela gentileza. Carinhoso beijo. Feliz e honrada com o seu retorno.

gaivota disse...

é de uma profunda sabedoria e realidade este texto!
que bom teres publicado, bem como a nossa amiga são...
fantástico!
beijinhos

xistosa - (josé torres) disse...

Não sou tão radicalmente contrário ao que escreveu, mas ...
Por que nos havemos de preocupar com o que se passa no mundo, se temos no nosso bairro, à nossa porta tudo isso?
Temos que enfrentar os invasores reais e os irreais, estes muito mais perigosos, por serem ilusórios e imaginários.Façamos algo.
Costumo dizer que gosto de navegar na minha canoa.
Mesmo que viaje à toa, não me submeto a ninguém ... nem a nada!
Porque vamos atrás das palavras?
Será a verdade absoluta, ou um refúgio?

Cumprimentos e obrigado pela visita.

Ilaine disse...

Você me lembra um pouco Brecht.
Você toca na ferida, na verdade.
Saudades, meu amigo!
Beijo

Jacinta Dantas disse...

Gosto desse seu jeito. Ainda é preciso gritar, esbravejar para acordar os adormecidos. É...parece que dormimos o sono do não ver nada, não escutar nada, não sentir nada...dos P A R A L I S A D O S.
Grande abraço