2 de out de 2010

Se acabó el miedo

Que papel joga a irrelevância, quando conta o que não conta?
Como viver a vida, se a vivendo não a vivemos?
Aprendi tanto com meus erros que não paro de errá-los.


Somos
abandonados
Perdidos,
despojados,
nunca achados
E os mais farsantes
São aqueles que se fingem
Encontrados,
De suntuosos
exibicionismos
ilusionismos
consumismos
parasitismos
concentrados

O sofrimento é tal
E tão improvável
Tão sofrível
Tão injusto
Pra nós
que morremos
Que só nos resta
Encorajar o medo
E, medrosamente,
Dizer,
Encorajadamente:

Se acabó el miedo
Ninguém nos controla
O porvir
De nosso presente
Somos moleques
Incompetentes
E ágeis
Ninguém nos controla
Estamos impossíveis
Adeus ao império
E suas filiais de voluntários serviçais

Adeus:
Subserviência
Humilhação
Dominadores
e dominados
Senhor
e escravos

Se acabó el miedo
A chuva nos molha
E estamos felizes
Brotamos
Nascemos

Olhamos Pra gente
Pro conhecido
Pro desconhecido
Olhamos
e somos livres

Se acabó el miedo

9 comentários:

Coral disse...

o medo é a moldura da paisagem monótona, o necessário tempero de uma vida que, sem a adrenalina da montanha-russa, é insossa. então precisamos brincar desses brinquedos insanos para aplacar o tédio do vácuo existencial... no parque de diversões a náusea se justifica, e achamos que consumir, essa diversão efêmera, é um ato de liberdade numa sociedade onde estamos cercados por vitrines como se essas fossem grades de uma imensa jaula, ou como se fossem o queijo da ratoeira tão evidente que fingimos que não vemos, embora mais encurralados que o rato do esgoto, esse sim, livre

Jacinta Dantas disse...

Pois é...
o medo nos paralisa e,
os "corajosos" tomam conta de tudo e de todos.

Abração

Eurico disse...

Luis, amigo ecossocialista,
vou ter de votar na menos ruim, né?

Espero que a ida ao segundo turno a faça repensar a vida dela e de seu partido e ouça os movimentos, como o dos ecossocialistas, por exemplo.
Quero uma estratégia de atuação política que contemple aspectos daquele teu manifesto, que republiquei no Cultura Solidária.

Num país plural como o nosso, num mundo plural, não se pode pensar que o PT é o dono da verdade. E de que verdade, né? São tantas...

Tua decisão me instiga a votar nela. Mas não arregaçarei as mangas, amigo.
Prefiro arregaçá-las pra exigir que o novo governo nos ouça. Que reveja as nossa matrizes energéticas, nossa reforma agrária, nossas concessões televisivas, e até mesmo a nossa alimentação, nossa merenda escolar, nossa maneira americanalhada de ver o mundo...
Isso tem de ser repensado.
Dilma é capaz disso?
Espero...

Abraço ecossolidário.

Poetíssima disse...

'O medo é uma casa, onde ninguem vai..'

Lua Nova disse...

O medo... quem dera um dia acabasse... ele tem mil faces e mil facetas, não escolhe, não discerne, não discrimina... para fazer seu ninho, qualquer coração serve, basta ser mortal...
Beijokas.
Seguindo...

Renata Bomfim disse...

OLá meu amigo
que maravilha de poema
Um canto utópico, de esperança...
Obrigada pela visita ao letra e Fel
Hoje fui À Ufes estudar (esuqeci que serviço público enforça a vespera do feriado... eheheh)
abraços
renata

Canto da Boca disse...

"Viver é muito perigoso, não viver é mais perigoso ainda".

;)

Vanessa Souza Moraes disse...

O medo acaba e volta, sempre.

Ilaine disse...

Poeta, perdoe a demora e a ausência. Volto sempre, ainda que demore. Pois, eu volto pra te ler, para sentir teu grito em forma de rimas.Palavras fortes, profundas como estas. Haverá de acabar o medo para sermos os moleques que trazemos em nó. E então, como dizes, brotaremos em finas flores de liberdade. Beijo