28 de nov de 2010

rIzOmA

sou frágil
caluniado
ofendido
sacaneado
humilhado
aviltado
xingado
desprezado
inferiorizado
explorado

sou frágil
sou fraco
sou filho
da morte
sou ágil


eu:
não sou nada
não tenho nada
sou livre
sem ser

sou:
no condenado que estou
intocável
afetadamente
inafetável
ofendidamente
inofendível

sou não sendo
um pária
sim,
sou
um pária
sem ser
sou
sim
um detido
sem ser

sou
di-vertido
in-convertível
pagão
sou um escravo livre
um anômalo
vândalo

sou não
ainda bem
digo
que não posso
ser
descer
devo
tecer
o destecer
do ser
desaparecer
o ser que
não posso ser
é não ser
que não serei
livre
aí sim
estou
não sendo
sendo
o sido
que não
pude ser

aí sim
já não sou eu
somos
sem ser
porque
nos faremos
o não ser
da puta
filha da puta
o não ser
do ser
do desgraçado
do infeliz
o alegre
atrevido
não ser
do pivete
o não ser do
pobre
dos mais recusados
e xingados
evitados
o não ser
minhoca
barata
rato
cobra
verme

aí sim
já não seremos
visto que
vivemos

eu quero
só -
fora do ser
que fabrica
mortas vidas
de propagandas
de vi-ver -

eu quero só
viver
fora do só
do dó
do ré
do mim
do fá-lo
ato
fato
falho

eu quero
só viver
com
outras
ínfimas
vidas
findas
infindas
sendas
vindas
que sangram
amam
quando singram

5 comentários:

Patrícia Gonçalves disse...

Poema forte de quem sabe o que quer e para o que veio!

bjs

Coral disse...

o eu-lírico desse poema é o anti-eu de todos nós...

muito bom o poema, como sempre!

beijos

Gisa disse...

Adoro o teu ritmo e força.
Um bj. e obrigada pela visita. Apareça sempre que der vontade.

Carla disse...

E singramos o ser que somos...


Bjos

Dois Rios disse...

Oi, Luis!

Muito bom o seu poema! Você brinca com as palavras com tamanha fluidez que parece fácil a quem lê. E não é, eu sei.

Vim retribuir uma visita que você me fez há um tanto de dias, desculpando-me desde já pela demora. Ando meio preguiçosa para tocar o blog, rss...

Beijos,
Inês