22 de jan de 2011

poesia

é sempre uma sentença de morte
a poesia
ou a poesia como sentença de morte
é sempre uma onipresente
sentença de morte
quando não existe poesia
uma sentença que é mais letal
quanto mais parece
vital
quanto mais é interpretável
palatável
sociável
amável
amansável

quanto mais não atravessa
o avesso do sono
no travesseiro
deste viveiro:
a sentença de morte
de não poder poetar
fora da propaganda
de viver
de não poder, em começo,
viver sem publicidade
de eu
de homem
de mulher
de negro
de gay
de pobre

é sempre uma potência festiva
revolucionária
coletiva
a poesia
potência viva
insubordinável
inapreensível
impossível
incontrolável
imprevisível
quando não publicável
não palatável
não amável
não sociável
porque fora da propaganda
porque viva
carnavalesca
vivendo


é sempre a nossa sentença de morte
que condena a poesia
quando o poema
não diz o que
nos mata
nos rouba
nos ata
nos poupa

é sempre uma alegria
a poesia
quando diz o inaudito
o invisível
o imperceptível
o não cheirado
o não degustado
o não tateado
o não vislumbrado
intuído
vivido

e é tão simples dizer
poeticamente
ainda que pareça absurdo,
truculento
machista, ignorante, arrogante
violento,
ainda que pareça, o dizer,
que pareça ter atravessado todas as fronteiras
é sempre um além das fronteiras
das porteiras
o dizer o que está aquém

por isso é tão simples
basta , sem subterfúgios,
ouvir
cheirar
tatear,
degustar
ver
viver

basta, sem propaganda de mundos,
onde, supostamente,
golgate, eu e você,
o sorriso brilhante!
habitualmente
habitamos

basta sem publicidade
de condomínios fechados
eu e você
fora de todos os muros
que nos proteja
o nosso mundinho
do imenso mundo

basta
estar no mundo
ser mundano
vulnerável
solto
amavelmente
revolto

11 comentários:

Flor Gyn... disse...

oii meu anjo obrigada pelo comentário....nossa to lendo seu blog e adorei tudo que vi até agora..bju da flor tá...to te seguindo...

Fa menor disse...

será que basta?

pode ser tudo tão simples
se a vida for poesia.
:)


Bjos

Canto da Boca disse...

Parece um tratado do ser, assim bem heideggeriano, na tentativa de responder todas as indagações e angústias sobre o "sentido do ser e da existência humana", já que nunca podemos ser nós, a dois, a dez, a mil, bilhões...

Mas eu não sabia que tinha sido agraciada com um poema? Que honra, la Mancha! É qual?? Como eu também não sabia que havia ficado brava consigo, fiquei? Faltou eu me dizer então...

;)


Beijo!!

Carla disse...

Poesia é vida e morte, é luz e treva... é O Paradoxo!


Bjão!

layla lauar disse...

basta ler vocÊ para saber que tudo pode se transformar em pura e bela poesia...

;)

abraços

M. disse...

Tens poesia...tens me a mim...

Estruturalmente diferente a tua escrita. Muito boa.

Coral disse...

não sei nem o que dizer, porque seu poema é de uma verdade tão bela e impactante que deixa a gente muda!

beijos

Vanuza Pantaleão disse...

Sermos mundamos e vulneráveis, sina que nos abraça.
Puxa, amigo! Tens Poesia na alma. Gostei do teu comentário lá no Matagal, tu pegaste o tal espírito da coisa, rsrs.
Um domingo bem legal!!!

Dauri Batisti disse...

Uma potência festiva, bem preciso, precisas, todos. Uma potência festiva que se avista ali, logo ali, passo que não damos, poesia que despedimos. Bom ver tua cor vadia atualizada, atualizamo-nos em ternura na poesia, atualizamos nas forças rebeldes a resistência de dizer escrevo; e a inutilidade do que escrevo diz o que quero, o mundo que invento, invento muitos, possibilidades mundanas. Mudo, não mudo,quero mudar, já mudo no querer, no desejo, falo, revoltos ventos me levam e me encontram na travessa da cor vadia...

abraço

MAILSON FURTADO disse...

Belo post...

Belo blog...

Parabéns muito bom seu espaço, voltarei aqui mais vezes...

Convido vc a conhcer meu trabalho (poesia, música, teatro)

Ficaria feliz demais!

http://mailsonfurtado.com

Ilaine- disse...

"É sempre uma alegria a poesia..." A poesia dentro de você: sempre forte, sempre única.

Querido, obrigada pelas visitas e pelas palavras lindas. Beijo