20 de fev de 2011

o progresso em bala

No ano x , y foi à rua w e comprou uma pistola calibre progresso. No ano x + 10, y chegou a sua casa e desfechou tiros contra o corpo. Depois de morto, y foi aludido num telejornal. Neste, seu suicídio não significava nada. Apenas mais um morrera. No entanto, o silêncio, dissimulado em indiferença, dominou de tal maneira os expectadores que era sem dúvida um sinistro aviso coletivo.

Y talvez fosse a liberdade? A desmassificação? O homem que se inventa? A mulher que se desmasculiniza? O desejo desejado enfim inscrito na ponta outra do outro que deseja, formando impossíveis?

De qualquer modo, estava morto pelas próprias mãos, pelo próprio tiro, pela própria bala.

8 comentários:

Gisa disse...

Suicídios ou desistências? Vibrante texto.
Um bj querido amigo

M. disse...

Não será uma história que embala:)

Menos um então:)

Amapola disse...

Bom dia.

Estou lhe seguindo e voltarei depois, para ler com mais calma.

Um grande abraço.
Maria Auxiliadora (Amapola)

Ilaine disse...

Luis!

Um progresso em triste desenvolvimento: rápido, que rola, que mata, abala. A bala da pistola em calibre progersso - Palavras suas, sempre fortes, em agulhadas... Magníficas!

Obrigada, poeta querido, pelo lindo comentário... me emocionei. Lindo demais! Que bom te ver lá "em casa". Beijo

Loba disse...

venho de ler rosa e com ele aprendi um pouco mais de vida e de morte e de poesia. em tudo que sua página me ofereceu à leitura, sinto uma proximidade com ele. há aqui uma linguagem em estado gasoso.
bom fazer este caminho de volta!
beijo

fedra disse...

Luis, muito bom seus textos, grande abraço, vou linkar nos meus blogs, artur gomes

Canto da Boca disse...

(de qualquer modo estava fadado à morte, pelo próprio destino (?), pelo determinismo geográfico, pelo possibilismo histórico?)

Miguel disse...

Poeta, texto forte e verdadeiro. A bala progresso está em muitos, alguns não suportam, vidas se vão...Abração poeta, logo mais estaremos voltando.