21/07/2011

felicidade

sou a felicidade, a alegria, outro mundo, não este

aqui.

sou o encontro do e no desencontro, nada disto: família

nela mesma, marido e mulher por eles mesmos, o rico feliz

de seu estado de ilha, repleto de companhias puxa-sacas,

os responsáveis diretos pela miséria deste mundo aqui,

sou o contentamento, o banquete pra todos, outra

humanidade, em que não sejamos nós-mesmos, humanos,

apenas, e em que a promessa, a promessa pros joãos,

pras marias, a promessa nos pedros e nas joaquinas, a

promessa libidinada em cada olho deste planeta aqui,

seja repartida, seja tomada, seja espalhada, não a partir,

mas seja nossa, de cada qual e de todos cada,

e que a felicidade, quando realizada, no amor, no encontro,

na amizade, na fala, na audição, no tato, no sabor, na

imaginação, neste poema, a felicidade seja a mais particular,

a mais eu, a mais singular, por ser a mais pública, a mais

não-eu, a mais total.

eu preparo um poema antibomba, bombástico,

a fissura plutônica dos núcleos dos prótons

dos poucos.

7 comentários:

Atitude do pensar disse...

Gosto de fazer distinção entre a felicidade e a alegria. Porém, ambas sofrema influência desse contexto. E assim, pode deixar de ser...

Gisa disse...

Gosto da tua maneira de escrever
A força explode na tela
Um grande bj

Coral disse...

a cadência de seu poema, a escolha precisa das palavras, o fluxo, o ritmo, dão água na boca...

C Valente disse...

Bela prosa, gostei do que li
Saudações amigas e bom fim de semana

Canto da Boca disse...

(... e que continuemos todos (in)felizes em nossos entorpecimentos e cegueiras, amém! já que não estamos mais sabendo amar...)

Sonia Pallone disse...

Que lindo! Meu coração sentiu e agradeceu...Beijos e obrigada pelo carinho no Solidão de Alma enqto estive ausente.

Raíssa Soares disse...

Lindo, muito lindo o poema. Voltei ao blogspot, pai. Agora é só me seguir. Beijos!