18/08/2011

baixísimos

Não tenho por que não dizer
Se o dito é o édito do edito
Qual a finalidade da arte pela arte?
Qual a finalidade da terapia religiosa?
Qual a finalidade da psicanálise,
Tenha o inconsciente que tiver?
Qual a finalidade da competência
e da incompetência?
Qual a finalidade do saber oficialmente oficioso,
Cioso de seu cio meticuloso,
Rigor horror ardiloso?
Ou da sexualidade,
qual a finalidade?
Ou da família
Qual a finalidade?
De comprar e vender,
Ganhar e perder?
qual a não finalidade?
Ou ou ou
qual a fatalidade?

Somos pregadores de
Nós mesmos?
da autofinalidade?
da extrafinalidade?
da intrafinalidade?
da desfinalidade?
pregadores
de algo
aquém
além
do visgo
no
confisco
de
eu te amo
eu te quero
eu te venero
na venérea
etérea
atmosfera
de
Primos
Pais
Mães
Irmãos
Filhos
Filhas
Tios
esposas
amantes
namoradas
ou eleitos
Os iguais
Os parceiros
os camaradas
sempre uma questão de pele?
De sangue
De irmandade
De intimidade
De fofocas
Afinal
Vivemos na sociedade das fofocas
o amor
é futrica
o trabalho
é fofoca
a amizade,
intriga
Públicos são púbicos espaços cúbicos
delírios sem lírios de grupelhos
colírios de enxofres
nos chifres dos olhos
espelhos
Nunca arruaceiros
sempre trapaceiros
gorjeando, feliz,
em viveiros
e pula de puleiro
a puteiro
Contra o outro paranoicamente não igual
punheteiro
no seu círculo circo
de périplos peri-patéticos
inquéritos
inteiros
Em procissão
em possessão
Na profissão
iguais
na religião,
Iguais
Na nacionalidade,
Iguais,
Na sexualidade,
Iguais
Na posse
Iguais
na racional
irracionalidade

No entanto

Fora dos iguais
No mais fora dos desiguais
Eu enuncio o impossível
Órfãos bandos de inverossímeis
Ateus, à toa, incoercíveis
estrelas na lua no sol, incríveis
de tanto que brilham
as bolinhas de gude
nos dedos da mira de miríades
dos buracos poros incorrigíveis
Nas digitais palatais de anarco-invisíveis
inservíveis
porque
sensitíveis
no pluri
Gozístico
pluri
Agonístico
pluri
Logístico
pluri
agorístico
pluri
Vivíssimo
vastíssimo
sem altar
nem
santíssimo
nem
altíssimo
onde tudo é
Pluri
baixíssimo
Tensores
De ardores
Nas flores
revoltíssimos
nos picos bicos dos espinhos
dos seios dos odores
nos paladares nas línguas
dos pequenos grandes lábios
nas fomes nos estômagos
cheios dos cios
brios

Sem dores
Sem clamores
nem louvores
nem alvores
sem esplendores

simplíssimos

Amoras
Selvagens
desiguais
infiéis
sempre
a si mesmas
indóceis
na finalidade
sem fim
de metamórficos
não íntimos
diabólicos
ínfimos
amores
e dana-se pra tudo
que seja dissabores
e mesmo sabores de
árvores frutos de
galhos seivas
de louvores
dane-se pros rumores
das especulações
nas bolsas nos bolsos
senhores
dane-se pros câmbios
de dólares rancores
o que importa
são os
furores
o não a tudo que seja
horrores
mesmo que sejam
errores
vidas nuas
nossas,
suas
amo
ramo
tramo
estertores
de
vivos
telúricos
alados
sensores
e são livres
pendores

6 comentários:

Coral disse...

Interessante seu poema. A terapia religiosa, a psicologia e a psicanálise podem ser simples formas de coerção, formas de forçar a adaptação ao que é inadaptável por natureza, uma forma de obrigar quem saiu da caverna ou simplesmente deu uma espiadela no mundo real a voltar a ver as sombras projetadas na parede e a acreditar que as sombras são tudo, e não simplesmente a projeção distorcida de um mundo assombroso.

C Valente disse...

Gostei, mas achei e se me permite muito longo
Saudações amigas

São disse...

Continuo a gostar de sua poesia.

Boa semana

La sonrisa de Hiperión disse...

Estupends los posts que nos dejas, como siempre un placer haberme pasado por tu espacio.

Saludos y buena tarde de sábado.

Ilaine disse...

Você e as palavras... Muito louco poema, muito verdade... Saudades! Beijo!

C Valente disse...

Saudações amigas