26/09/2011

inviáveis

Pouco importa
Língua porca
Se me ama
se me odeia
Eu não me importo
Nem pra mim mesmo
Nem pra ninguém
Nem eu
Nem você
Nem o mim noutro mim

não somos importantes
Desoladamente
Isoladamente
Pouco importa
Língua morta
Se me detesta
Se fecha portas
Desde que eu
com minha face
minha testa
meu disfarce
Não seja eu
Narciso em
festa

importa em mim
o eu outro
que me infesta
O coletivo eu
sem dorso
sem posto
sem rosto

seja eu
então
desde que esteja
Fora de mim
De si
De ti
seja eu
aluvião

Aí sim
Importa muito
O que falam de mim
Visto que eu não sou eu
Sou você outra si
Fora de mim
Qualquer uma
Indefinida
Definidamente
Tanto mais alguém
Quanto mais
ninguém

nem refém
nem além
nem aquém
e
mundos
vagabundos
sou sem
impossíveis
vira-mundos
devéns
cosmológicos
sem ser
pra nada
pra tudo
itens
mercadológicos
de ser

sou:
invendíveis
in quantificáveis
imponderáveis
sem ser
vis seres viáveis
sem servis vinténs
sou
impraticáveis
amores
insondáveis
sondas
intransitáveis
ondas
inviáveis

14 comentários:

Gisa disse...

Amo o teu compasso.
Um grande bj

herbert farias disse...

Belo impacto de conflitos, daria um belo rap, acho. Desmedida do impávido colosso.

Luma Rosa disse...

Um ser íntegro ou um estar íntegro?

Palavras Vagabundas disse...

Luis, vim agradecer sua visita, volte sempre as portas lá de casa são sempre abertas!
abs
Jussara

Carla disse...

Bello texto.

Besos.

Dauri Batisti disse...

pouco importa, talvez a porta seja mais, muitas portas importantes, não uma só, diversas, em todas as direções.

sem verdades, mas com idades que marcam seus degraus, seus umbrais,limiares e travessas por onde passam os nômades e seus cheiros, seus camelos, seus jeitos, seus animais, suas crianças.

pouco importa a lingua torta que aqui nesse comentário se rescunha em tosco enfrentamento da morte... mas a porta, a travessia vale a poesia, porta a poesia, a travessia porta a vida e seus movimentos,afinal a vida é o começo e o meio, a potencia sem fim.

ah! a vida, a porta, a passagem, o passo, a soleira, a eira, a beira. a vida clama a fábula, planta a arte, faz o mundo.

o Eustáquio sempre me fazendo andar na velocidade das belezas que por aqui circulam. Obrigado.

Obrigado pela visita ao ESSAPALAVRA.

São disse...

Continua a ter um bom ritmo de poesia, meu caro.

Bom domingo.

Graça disse...

Incríveis, seus poemas!
Como faz um bom tempinho que vim aqui, aproveitei para ler mais alguns, e como me encanto com sua inteligência, criatividade, flexibilidade com as palavras, Eustáquio! Como me fazem bem ler palavras tecidas de modo inteligente!!!
Você, VOCÊ é que é incrível.
Um abração grande, e muitíssimo grata pela visita. Venha sempre!

Ilaine disse...

Amigo!

Queria ter escrito algo como o Dauri.

Neste poema de tantas "inviáveis" encontro-te, de ti, em si. Em versos de vias tantas, ainda que inviáveis - um caminho imponderável: teus versos!

Abraço, poeta querido!

Lícia Dalcin disse...

E este mundim aqui arregala para ti olhos muito redondos como os balõezinhos que se não podem pegar. Nem tudo no mundo se come, é certo. Mas prazeres há. Ando louca por chá de tília e tu és um louco na moita de uma estética de minusculatura, de carnes apertadas em caixa pequena (sentem-se aviltadas pelos contatos inevitáveis e extremos, de uma ousadia não-ensaiada) Mas oh que orgânico. Materialismo tão idealista!

Flor de Lótus disse...

Oi,Luis!Passando para conhecer seu blog, desculpa a demora em retribuir a visita.
Como disse o sábio Vinicius de Moraes " é impossível ser feliz sozinho..."
Beijosss

SєиhσяiTα Fαbby♀ disse...

OI TD BEM?
esta rolando uma enquete no meu blog, conto sua participação lá!

http://wwwparedescolloridas.blogspot.com/
BEIJOKAS

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Caro amigo

Há poemas
que parecem discursos
em nossas vidas.

Nos fazem pensar.
Acreditar
no sentido
escondido por trás do sentido


Que os sonhos te habitem
o coração, sempre...

Lícia Dalcin disse...

Cê tá muito quieto...