blog do poeta luis eustáquio soares, em ressonância magmaética com os ecos de Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas: “ Fui e não fui, sou e não sou, estou e não estou. Não serei, não estarei. Que Deus seja e esteja. Eu, o aberto
29/10/2011
vergonha
tenho vergonha
de ser
homem
mulher
gay
branco
negro
amarelo
adulto
velho
jovem
criança
tenho vergonha de ser deste mundo
sendo quem sou
e também quem
não fui
não serei
não seria
ou
sereia
tenho vergonha da humanidade
de existir
o rico
o pobre
o trabalhador
o vagabundo
o santo
o puto
o honesto
o pilantra
tenho vergonha por saber que a fome
na Somália não é destino
natural
fatal
espiritual
mas parte da trama
de quem odeia
de quem ama
pois tudo é o mesmo mundo
de fama
de lama
de cama
de coma
na lona
tenho vergonha das guerras imperialistas
mas também das guerras
narcisistas
hedonistas
vigaristas
legalistas
esportivas
amorosas
realistas
fatalistas
sensacionalistas
tenho vergonha por algum dia ter dito pela primeira vez
é meu
é seu
tenho
não tenho
sou
não sou
quero
não quero
sei
não sei
morro de vergonha por existir
línguas
países
culturas
sistemas
ordens
religiões
saberes
poderes
tenho vergonha de ser gente
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11 comentários:
Continuas batendo forte, Luís.
Marteladas nietzcheanas.
A transvaloração é possível?
Acautela-te, niilista; o que é vergonha em mim, é vaidade no Outro. Ah, meu caro, como eu te compreendo. Bj
Hei de escrever. Ando adoentada, mas passa, como tudo na vida.
Verdade!
Ah, m eu caro, mas não tem que ter : quem escreve assim e tem esta aguda consci~encia é uma pessoa!
Abraços, muitos
Gostei, è preciso intervir do modo que sabemos e podemos
Saudações amigas
Estupendas las cosas que nos dejas, amigo.
Saludos y buen domingo.
Ah meu caro amigo,sinto tanta vergonha também de tanta coisa,mas dia desses vi o filme lixo extraordinário e senti orgulho, orgulho do ser humano que luta do ser humano que estende a mão para o seu irmão,nem tudo está perdido,temos uqe ter fé.
Beijossss
Luis, mais um daqueles poemas que nos inquietam, e nos revira por dentro, uma vergonha dos seres e das sociedades que somos e criamos, apesar do fato de que 'nem todas as verdade são para todos os ouvidos', é preciso dizer sim, para que não nos tornemos 'fundamentalistas da indiferença'...
Que essa vergonha nos impessa de reconstruir a humanidade caída, no sentido sócio-político desta. Mas que ela nos impulsione a ser humano no melhor dos sentidos.
Afinal, somos contraditórios e, portanto, o bem e o mal.
P.S. Tenho um amigão que cursa mestrado em letras na UFES, devo aparecer pra encontrar com este e os demais amigos capixabas em breve.
Ah, se eu soubesse do lançamento do livro por aqui teria ido. Mas tenho andado distante da net e quando o soube era findo.
Inté,
K.
Gracias por tu comentario en mi blog.
Hay veces que la verguenza acecha.
Besos.
Procura por minha TREVA CIRCUNSTANCIAL. Eu a fiz em tua homenagem. Está (claro) no me blogue.
bj
Lícia
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