2 de set de 2012

dinheiro




antes
era pão e circo
e o cacete como pão que bate
na arte de matar, cão que late,
no bode expiatório, a guilhotina
no pescoço da soberana plebeica praça
hoje é urânio empobrecido
fósforo branco e círculo midiático
onde tudo é arte que arde,
ardil
funil
fuzil
de ícones de artilharias
nas edições de armas satelitais
contra a praça súdita
garras amarras virtuais
na Terra carcerária,
pois agora a ágora é o planeta campo de concentração
planeta palestina, território sem povo
e povo sem território, onde bomba é tudo,
em tempo irreal, supõe-se, supositório
de lunáticas radioativas partículas de
envoltórios zumbíticos vivos incendiados
incendiários, planeta
guilhotinado, enforcado,desmembrado,
sacrificiado
nos vários seres mortuários, viciados,
por plutônicas ontológicas cosmológicas
inspeções galácticas de drones drops
fotoativos, putativos, objetos mostruários
no dentifrício no corpo cabeça sexo estomagado
esmagado
emparedado
avacalhado
suicidário
nos condenados da terra,
esmigalhados
num périplo enxame de vexame
sobre a pele do planeta humilhado
num colateral genocídio mundial
patrocinado por múltiplas poses
closes
de frente
de costas
de lado
em pé,
deitado
de cócoras
de quatro
pro grande irmão, o dinheiro
big Money
o cordeiro de deus,
o sacrifício,
o dinheiro mete na química do vício
do orifício do cio da física
no miolo das forças da terra, os ofícios
tiram daqui a metafísica
o dinheiro
mete na física dos canais
dos anais
vaginais
picais
o dinheiro
este puteiro
do sofrimento humano,
inumano,
o puto,
o limpo
Olimpo
seja mais impuro que o dinheiro
seja mais abstrato
corpos
em dispersão
em conspiração
em revolução
seja a suruba que ele não pode ser
a suruba de demos
sem cracia
sem polícia
sem concentrada
mais-valia
seja o puto sem um puto dinheiro
faça todas as combinações
mais que as absurdas concatenações,
do dinheiro
seja mais sujo
que o dinheiro
e não seja nada
antes de tudo
que o dinheiro te pega na encruzilhada
o canhão do dinheiro no seu cu
indecente
demente
culpado
seja pecador
mas não seja porra alguma
principalmente não seja porra
o dinheiro te pega
te imprime
te faz gozar
gozzzzzaaaaa!
filho da putaaaaa!
gozzaaaaa!
bastardo!
com a pica do dinheiro
no cu de seu buraco do nariz
no verniz dos tímpanos címbalos
dos símbolos do umbigo de sua boca
de edípicos esfíngicos vínculos
não seja nada
apenas
o inusitado
o imprevisto
o impensável
o impossível
o inacreditável
a metáfora literal
não seja o dinheiro
este que
nada vê porque tudo quer ver
nada sente porque tudo pressente
nada pensa porque a tudo compensa
nada goza porque em tudo, comprando,
rende e ata
encena e mata
o dinheiro
delira
a pornografia do dinheiro
meninas
sem pernas
meninos
sem braços
homens
sem dentes
mulheres
sem mentes
delira o dinheiro o empalo
das guerras
psicológicas
midiáticas
eróticas
étnicas
econômicas
religiosas
filosóficas
românticas
realistas
surrealistas
naturalistas
delira, o dinheiro,
o genocídio do cu lateral,
também conhecido
como colateral
colérico, o satélite no cu
no deus que tudo vê e maldiz
o dólar que quer
ter tudo
ser tudo
conter tudo
o dinheiro, esse homo sacer
eu sou o santo sudário dinheiro que a tudo compra
a tudo comporta a tudo porta a tudo força
a tudo forca
no tudo vende
sua mãe
sua irmã
sua filha
sua sinergia
seu sexo
sua entropia
eu sou o grande rei
o deus desde antes de deus
o que do lado do triângulo quadrado
é alado do alto no baixo de sentimentos
de indiferentes diferentes polígonos
de
distâncias
reentrâncias
elegâncias
vinganças
esperanças
arrogâncias
matanças
de danças
ancas
panças
no próximo, aqui, olha, no seu umbigo
o dinheiro é oblíquo
ubíquo demo
ubíquo deus
ubíquo falo
ubíquo halo
ubíquo talo
o dinheiro
sorrateiro
arroga todos os direitos
de
criar
foder
de
amar
sorver
de
trepar
intrometer
de
pecar
absolver
de
confessar
viver
de
desejar
requerer
valores ou de determiná-los,
maldito seja o impessoal dinheiro,
personalíssimo
o realismo que abraça a sua armadilha
utópica
na força que não subsistiria se não tomasse emprestado as máscaras
das forças precedentes contra as quais a luta é o ser da força é
o plural das lutas na constelação das forças
O estado foi preparado para um povo e outro tomou seu lugar
O povo dinheiro
mercadoria na prateleira do lobby na ovelha do lobo
o lóbulo nas cifras na lobotomia
especulativa no cérebro tomista
na bunda intestinal na merda perfumada
do chiqueiro chique do embusteiro
banqueiro
o dinheiro
Onipresente cérebro eletrônico
Grande irmão
Abraxas
Trepa trepa trepa
Trapwire
O arame da força do farpado do espinho do porco
No dorso do corpo
Dos dispositivos classificatórios coloniais
Dos recursos tecnológicos atuais
No cruzamento de informações
faciais
globais
sinais
no google da bola na trave ave
de seu gol
Pois o dinheiro é o terráqueo deus
tem sua glória em sua multiplicação
e acumula por acúmulo de absurdas
expansões
despossessões
manipulações
difusões
ilusões
variações de cinéticas
panópticas missões
sensações
de
intromissões
submissões
o dinheiro é a ordem
da confusão
ação de ações
na bolsa do subprime
nos corpos de santo daime
dai-me, senhor,
em profusão
o próprio impróprio
dinheiro
em gasosa panteísta
combustão
mercadoria dinheiro mercadoria
dinheiro mercadoria dinheiro
dinheiro dinheiro dinheiro
puteiro puteiro puteiro
bíblia putaria bíblia
puta santa puta
no versículo do discípulo
do missionário vínculo do visionário
com
o messiânico santo justiceiro no desempregado
dinheiro
que, em nome Dele,
do imperialismo dinheiro
da OTAN dinheiro
do Ocidente dinheiro
da democracia dinheiro
do petróleo dinheiro
do narcótico dinheiro
em nome Deles
ópio dos oligarcas
o dinheiro compra os desarmados
de dinheiro
no planeta da igreja do dinheiro
o dinheiro compra o lumpenproletariat
civiliizat
letrat
informatizat
europeizat
americanizat
zapping
system
spion
parasites
o dinheiro compra todas as encrencas
e impõe o velho testamento das crenças
no novo testamento nas telas das horrendas seitas
hodiernas
pois, nelas,
tudo é conjunto do disjunto de estar odialmente juntos
no câmbio dos juros nos perjuros dos malditos subconjuntos
onde se o punheteiro dinheiro fosse uma televisão
não veríamos na tela plana dele
não veríamos plenamente
pecuniariamente
o furacão de compras e vendas do embrulhado
planeta mercadoria
não veríamos
no dinheiro
no dilúvio a vácuo no pacote global inteiro
não veríamos
o conteúdo
sofrimento
genocídio
ecocídio
infanticídio
fundamentalista
ciocídio
artístico
do bombástico dinheiro
com suas bombas de buquês
de
sensatez
cortês
freguês
burguês
não veríamos
na televisão do dinheiro
uma criança descalça com
uma pedra na mão
uma metralhadora na mão
uma dinamite na mão
uma dívida no coração
ou uma sem mãos
nas pernas
ou uma sem pernas
nas mãos
no desfigurado rosto do neutro dinheiro
não veríamos o corpo
sem
cabeça, orelha, olho, boca, pés, pele, dedos rins
estilhaçado
nos muros brancos
de buracos negros
no rosto do dinheiro
não veríamos
a dor
na televisão do dinheiro
de não tê-lo
a dor de ser
atacado
caluniado
abandonado
matado
pela guerra
de espectro total
mentira total
sorriso total
diplomacia total
indiferença total
hipocrisia total
sortilégio total
engano total
tesão total
fusão total
totalitarismo total
pelo
sem ismos
do insosso
inocente
dinheiro
não veríamos
na prata do dinheiro
idiotismos
o ouro
que reluz
quando
sem o dinheiro e seus visgos
somos luz
e nada nos
conduz
induz
senão,
sem um puto dinheiro,
a alegria
que nos seduz
de graça
sem compra/venda
a alegria
de
viver
sem rendas
sem vendas
livres
prendas





7 comentários:

silvioafonso disse...

.


Num fôlego só, eu não
consigo, mas sem pres-
sa, até que foi...

Um grande abraço, ami-
gão.

silvioafonso








.

Sónia M. disse...

Fiquei sem fôlego!! Do intenso e real do que acabo de ler!!! Muito bom!

Abraço
Sónia

São disse...

A raiva desbordando num fòlego até à exaustão.

Um abraço caloroso.

Mery disse...

Eu gosto.
És livre como as aves que vão e vem, ...fazes um alvoroço c pureza, putaria e tal...coisas d'alma* "do mundo!
Boa semana!
abraços.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Caro amigo

Suas palavras
reviram
os nossos
pensamentos...


Desejo que os teus sonhos
Espalhem o belo pelo mundo...

Aluísio Cavalcante Jr.

Paula Kelsch disse...

Gostei do carater denunciativo de sua poesia. Prende-nos a atençao, sobretudo daqueles que se sentem afetados pelas mazelas deste mundo um tanto hipocrita. Eu que tenho muita queixa dentro de meu peito, achei meu porta voz!! :) :) Parabens pelo que escreve, como é rico em essencia e conteudo o seu blog!

Renata Bomfim disse...

Passei para uma visita... sua poesia sempre me inquieta...
abraços
Renata