3 de nov de 2012

estar



estar
na hora do mundo
estreladamente
na hora
de errar
desmedidamente
de apalpar
a fruta
delicadamente
a que
existe
e
inexiste
saborosamente
com a saliva da língua
na uva da semente
vulva
da poupa
que é roupa
de outra
na outra
metamorficamente

fora do relógio
da Bastilha
da planilha
do cu na
vasilha
da lanterna
de pilha
desfalicamente

fora da
do buraco
do miolo
no taco
no palco
do esgoto
de nossa
teatral
bufônica
supersônica
submissão
à prisão
da
manilha
desencanadamente

do ontem no amanhã
do hoje
nos suplícios
e nas transcendências
das indecências
das ciências
nas Cias
das armadilhas,
fora,
livremente -
sempre como
matilha
inadvertidamente

estar na hora
do cosmos
ai sim
fora do freio
sem pastilha
do progresso
sem partilha
da Terra
como ilha
no buraco-negro
das corporativas
identidades
idades
felicidades
faculdades
diversidades
de performáticas
bestialidades
de folgadas
carretilhas

fora
do
lucro
da
posse
do minuto de fama
telesivamente
no mais fora
que nos difama
na cosmológica
cama
disforme
incomunicável -
ao predito
ao édito
ao édipo
ao edito -
cama do malditos
que
ama
o impensável
o improvável
o inaudito
no agora da
trama
que no abismo
planam
onde
multidões
cantam

porque
é sempre de outro lugar
que deve
soar
a hora da verdade
o furo
no saber
no poder
no ser
o furo
no mando
no comando
no impondo
pelos abandonados
de galácticos
de perdidos
de irrecuperáveis
de impagáveis
de irrepresentáveis
bandos
de difamados
corrompidos
de corromperem
romperem
com o lucrativo tempo
em que vemos adoecida
a vida
genocidada
suicidada
rendida
terricida

oh deus dólar
todo
poderoso
ostentoso
glamoroso
belicoso
oso
oso
oso
ouço
ouriço
ouso
espinhá-lo
de garatujas
babujas

porque
nele
através
dele
pra ele
do olho
de Zeus
do dinheiro
o armado
punheteiro
Deus
Financeiro
trapaceiro
fucinheiro
é sempre por ele que deve
vendidamente
soar
a hora
vencidamente
do calhorda
pilantramente
do hipócrita
especularmente
do plutócrata
presunçosamente,
do sério,
pateticamente,
do competente,
sempre como
publicitariamente
hora
Do Sintoma
Do Linfoma
Do Carcoma
a carcomida
hora
do que não pode ser
senão o que se impõe
ser
Ou do que é
No conforme
Do que tem sido
O ser do
tecer
foder
reter
conter
nunca na hora do mundo
sempre na hora da tumba
os gestores
de
percepções
horrores
de
subjetividades
terrores
de
ócios
negócios
de
vícios
cios
a
enredar
tomar
através da
congestão
de guerras
de pazes
de tretas
de tecnológicas
muletas
o holocáustico campo de concentração
terráqueo
lunático
pneumático
temos sido
o ser zumbi
mortos-vivos
por não nos permitir
zunir
enxames
sem medo de vexames
na hora
da
vida
plenamente
hora do não-ser
que supomos
destecer
o sendo
que
julgamos
ser
fora do julgamos
é
hora
de
nascer


2 comentários:

São disse...

O deus dinheiro, que acabará por desaparecer, está levando à ruína vários países e ao desespero milhões de pessoas.

O texto? Estupendo, como sempre!

Excelente semana.

sarah vervloet disse...

Grande Luis! Voltei a este mundo e nada melhor que me deparar com poemas seus. Abraço.