19 de ago de 2013



quero
um presente
sem
valor
desembrulhado
sem essências
sem aparências
sem
que assim se enuncia:
sou pobre mas honrada
prefiro morrer lutando
que viver de joelhos
ao pau e à voz doce
à luta digital e cibernética
não quero alimentar a mão que
nos tira
a coragem
a ousadia
a criação
a invenção
o tesão
o comunismo sem ismos visgos de monismos
a morte
esporrando-nos desde de zangões
com cacetes pirotécnicos de vilões
nos drones remix do deus dos vulcões
de castas etárias noturnas diárias
de lombrigas de umbigos, parasitárias,
com suas revoluções suicidárias
não
me suicido
no trem da história,
este é o não poema
ou o não presente,
nem regresso nem progresso,
o capitalismo não pode parar
sempre avançando, sem olhar
pros cafundós, pros planctos cós
de atar o nó do retrós com as fós
dos plutônios empobrecidos de nós
contra as arribações das gerações
sempre olhando pra baixo,
os baixios de suores de capoeiras
de misteriosos retornos festivos de doideiras
de primaveras de dissonâncias sorrateiras
nas festas ditirâmbicas das sementeiras
o vinho das transgressões, videiras
sem eiras nem beiras, cachoeiras
tomam os corpos das ribanceiras
que transbordam nas mangueiras
na alegria incontida das rameiras
quando, violando a virgindade dos futuros,
plutão sequestra o presente das zoeiras
enche-o de seus infernos, trapaceiras
de interiores de corredores de louvores
ele, latrocida das delicadas borboletas
elabora milagres de violetas de ovelhas
no sujo guarda-vento das orelhas violentas
recrutando o escudo dos tempos das goteiras
infiltrando deuses, mitificações discurseiras
nas almas pueris das crenças inteiras
alegando que sou a putinha das traseiras
ou a noivinha das xoxotas das viseiras
ou a mãezinha das gaiolas das normas
ou a amante das lupas nas manobras
mas sempre os interiores dos olores
sempre o dentro dentro de outro dentro
formando a memória das fuligens de fofocas
contra as diásporas dos cremes das revoltas
caso diga não, não serei a solteirona das mortas hortas
sempre no mofado armário das gaivotas
que já não voam nas ondas das troças
lá onde não existe rendição à representação das ilhotas
quando o que sorvo não são as constelações das lontras
desprezando-as como criminosas arribações tontas
sou tomada pelas santas variações intestinas românticas
quando ele inicia o cicio pelos cabelos de Dalila
acusando-a de ter castrado as seitas Sansão
sancionando os cabelos das gentias refeitas
roubando-lhes o arco-íris de cruzeiro do sul
que de mim emana, não importa, se pelo cu
ou se no alvorecer do buraco do rabo do tatu
ainda que seja o lindo carniceiro voo do urubu
te digo que não espero ver esses diversos limbos
nas líricas páginas espetaculares das conversas de pus
das confessadas mulheres das tristes remessas de nus
abandono todos os donos dos interiores dos sumos
fugindo de todos os rigores dos látegos humores
adejando nas horas dos irreprimíveis estertores
engolfando mares ares de remares nos lisos exteriores
estando golfinho de perplexos banhos de vigores
já não perco tempo com lutos de senhores
deixo que os mortos enterrem os mortos
sabendo que aquele e aquela que estão presos
no sonho do desejo da presunção das chaves
da fechadura dos castos árcaros arcádicos mágicos das lajes
que aquelas que estão encerradas nos castelos de trajes
jamais serão gaivotas de peixes de néctar de esplendores
jamais alcançarão o açafrão do mel dos calores
jamais lamberão as veredas dos lúdicos odores
jamais gozarão as metamorfoses das nozes de estrelas
e no jamais serão sempre o sinto de recintos de cintos
desrazão por que sem mim sou as amoras das trepadeiras das luzes de vozes
e solto nos rios as nadadeiras dos públicos eflúvios dos púbicos algozes
deles me desfazendo no gay na mulher no negro na pobre das artes dos dilúvios
quando nesses fluxos de libélulas de manhas nos trotes dos amanhãs
surfando nas sanhas sem senhas dos segredos das éguas das avelãs
deixo no lixo da história as mulheres que imaginam que sou porcelana
e me descarrilo dos trilhos dos sismos das fumaças dos adestrados idiotismos
quando inauguramos as constelações cosmológicas longe dos istmos
limites encanados dos esófagos das fadigas das intrigas dos realismos
aí já não seremos nós mesmas o que temos sido de exotéricos ilusionismos
seremos ritmos brilhos de encantos fora dos espelhos dos vampiros
quando voaremos nas terras das feras das eternas eras que vicejarão nos confins
dos meios dos enleios dos recheios das rachaduras das feridas de sins
estando finalmente livres na carona de ninguém
sem nunca ficar presa no pesadelo de alguém
quando o enxame de mulheres de colmeias de vexames
rirão do patriarcal trabalho monumental, historial
e sem controles de falsos rumores de reais dissabores
com as energias das orgias dos amores
tomam o trabalho dos homens
e o transforma
em não trabalho
o valor dos abdomens
e o dissolve
em não-valor
o saber dos sêmens
e o delineia de nuvens
de não-saberes
o morrer dos devires
e o solariza
de víveres por vires
porque somos
a galáctica das lunáticas
imponderáveis
injustificáveis
ondulações de mãos das ruas nuas
das passeatas de insurgentes luas
propagando às infinitésimas manivelas
dos navios das vias que desviam do sanguinário
leão ordinário no ombro das gerações das caravelas
de fáticos poderes de sagradas profanações das fivelas
e ele ainda sorri enquanto ruge os tambores da desgraça
tinha me esquecido de que o rio não é impossível de navegar
e que é navegável apenas arriscando a vida pessoal
esse esquecimento me arrebatou nos rochedos de uma única dispendiosa
lembrança: eu de mim mesma, me matando de tanto medo de morrer
fora dentro do rio da ursa menor de sorver, crer, lamber, viver
agora que me perdi de mim
posso finalmente
deslizar
experimentar
atravessar
o Liso do Sussuarão
ser a Macunaíma das espumas que golpeiam as cidades
com os subúrbios das festas das cios dos lírios
nas cinemáticas sinergéticas internéticas proféticas
revoltas contra os canudos
onde a periférica
Antônia Conselheira
ondas inéditas
é tsunami de impossíveis
abolindo da face da terra
não a vitória-régia
mas a régia
vitória histérica
da
história funéria
sobre
as
escórias
e na urgência feroz do agora
nos mundos das danças dos bacanais nos
melros dos cantos das glórias
sem murros
fora das fogueiras inquisitoriais
sem cartoriais muros
de bactérias de fungos
tornamo-nos incuráveis
e
pras rapinas rasas s e profundas
nos tornamos
infernais artérias de trevas ateias
imundas
e
pras passaradas das intrépidas gargalhadas
somos pombas giras frenéticas poliamorosas
heréticas lobas das que nadam nas embaçadas
fronteiras do encontro do mar com os vazios
das galácticas assembleias das migrações das contracorrentes
das impías poligamosas ciciando nos abismos bravios
nas infinitas discrepâncias das nadadeiras das braçadas
nunca casadas nas cansadas atrofiadas asas das represas
que rompemos com as surpresas das descasuladas alcateias
que descasulam as teológicas ideias
nos pecados das núpcias das iconoclásticas peripécias
das acessíveis incríveis críveis
controvérsias







3 comentários:

Bandys disse...

Tambem quero esse presente


bjs

Toninho disse...

E que a liberdade seja nossa maior vitoria.
Belo trabalho como sempre.
Abraço.

Pérola disse...

um poema poderoso e sem pudores.

beijo