22 de ago de 2013

para o amigo, auro

não sou homem
mulher
gay
puta
fiel
infiel
negro
branco
amarelo
brasileiro
estrangeiro

sou inominável
me desfundamentalizo
me desconfesso
de me tecer
e
no fundo do raso
do poço
me faço
sem
ser

sou o que
não
somos
não
temos sido
o que não poderemos
ser
no
não
de
me destecer

sou o não
auroro
quando
nem perdemos
nem vencemos
nem sabemos
nem nos
temos
quando não
nos
retemos

quando
aquém
além
de mim
de
nós
extremos
estremecemos
constelações
entretecemos


Um comentário:

Fred Caju disse...

Que assim continue, velho.